Por Yhury Nukui comentários
Demi Lovato teve a sua vida mudada após estrelar “Camp Rock”, um filme musical à la “High School Musical”, lançado em junho de 2008 nos Estados Unidos. O longa tornou-se o terceiro filme mais visto da história da Disney, ficando atrás apenas de “High School Musical 2” e “Os Feiticeiros de Waverly Place: O Filme”. Com o sucesso, uma sequência foi confirmada e um contrato com a Hollywood Records, para o lançamento de discos solos, foi assinado.
“Don’t Forget”, o primeiro da cantora, veio repleto de clichês musicais e conquistou o público adolescente, recorrente de sua popularidade na época. “Here We Go Again” veio em menos de um ano depois e mostrou um amadurecimento vocal notável, tendo em vista que o antecessor vinha com um som semelhante ao dos Jonas Brothers – o que é compreensível, já que das onze canções apresentadas, seis foram co-escritas com o trio de irmãos.
Em novembro do ano passado, enquanto estava em turnê com o elenco de “Camp Rock”, Demi suspendeu a sua participação na série de concertos e em seguida, foi internada em uma clínica de reabilitação. Lá, a cantora foi diagnosticada com transtorno bipolar e tratou os problemas, que iam de distúrbios alimentares a automutilação.
Em janeiro, depois de quase três meses em tratamento, Demi foi liberada e logo em seguida, continuou o trabalho na produção de seu terceiro disco de estúdio. “Unbroken”, lançado em setembro, é uma espécie de diário, onde Demi derrama ao público os seus sentimentos, evidenciado principalmente no primeiro single, a melancólica “Skyscraper”.
Aclamada pela crítica, a canção fala sobre superação. “Você pode levar tudo que tenho, quebrar tudo que sou, como se eu fosse feita de vidro ou papel. Vá em frente, tente me derrubar. Vou levantar do chão, como um arranha-céu,” grita Lovato na canção escrita pela cantora Kerli Kõiv, Lindy Robbins e produzida por Toby Gad, que já trabalhou com grandes nomes da indústria fonográfica, como: Beyoncé (“If I Were A Boy”), Kelly Clarkson (“The War Is Over” e “Einstein”) e Fergie (“Big Girls Don’t Cry”, indicada ao Grammy em 2008).
A faixa já havia sido gravada em 2010, mas quando voltou a trabalhar no disco, Demi optou por refazê-la. No entanto, a produção preferiu manter a primeira versão, que tem Demi com uma voz mais suave, fraca, soando vulnerável – exatamente como ela se sentia quando a gravou. Na época, Demi começou a chorar percendo a similaridade entre ela e a canção.
Os pontos fortes do álbum ficam com as baladas “Lightweight”, “Fix A Heart”, “Mistake” e “My Love Is Like A Star” que são os grandes destaques. Enquanto “For The Love Of A Daughter” é um caso especial à parte. A faixa trata do relacionamento de Demi com seu pai biológico e soa muito particular. “Você não se lembra? Sou sua pequena garotinha. Como você pôde me expulsar do seu mundo? Tão nova quando minha dor começou e agora sempre com medo da solidão,” grita ela aos prantos, o que nos faz sentir realmente o quanto é delicada a relação com o progenitor.
Por outro lado, algumas faixas mais agitadas também chamam atenção, como é o caso de “All Night Long” – canção que Demi divide os vocais com Missy Elliott e Timbaland – a faixa-título “Unbroken” e o segundo single, “Give Your Heart a Break”.
Com um trabalho mais maduro, Demi conseguiu deixar que o seu fiel público entrasse em seu íntimo e passasse a compartilhar com ela os seus medos e inseguranças, que, mantendo uma certa distância entre as realidades, são bem parecidos.





