Strangeland; Keane

Strangeland

Keane

Universal Music - 2012

4 estrelas

Por Yhury Nukui comentários

Escolhidos para abrir dois dos três do Maroon 5 no Brasil em agosto, pode ser que você não conheça o trabalho dos rapazes da banda Keane, já que eles não colecionam muitos hits mundiais. Mas, quando a questão é a Europa, não é o que duvidar: são um dos mais queridos e influentes no continente.

Apenas para conhecimento, o primeiro disco da banda, “Hope and Fears”, foi eleito um dos cem melhores de todos os tempos e o décimo primeiro mais vendido no Reino Unido na década passada. Foi dele, inclusive, que saiu “Somewhere Only We Know”, de longe a canção mais conhecida da banda.

“Strangeland”, quarto disco da Keane, chegou às praças brasileiras há exatamente um mês e diferente do último álbum da banda, “Perfect Symmetry”, promoveu uma volta ao básico, possuindo uma sonoridade muito similar ao disco de estreia mencionado acima.

Entretanto, mesmo com a semelhança, este disco tem algo que fez toda a diferença: o amadurecimento. São oito anos desde o lançamento do primeiro álbum, foram histórias intensamente vividas e decepções que marcarão eternamente.

O disco tem início com “You Are Young”, que começa repentinamente, fazendo com que você se concentre em cada palavra entoada na voz de Tom Chaplin. O verso mais impactante talvez seja: “Você precisa trazer algo de bom a esse mundo”, onde o compositor da faixa, Tim Rice-Oxley, demonstra sua fé nos jovens como futuro promissor para um mundo melhor.


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O carro-chefe, “Silenced By The Night”, vem em seguida e é uma canção que transmite bem a vontade da Keane em voltar ao simples. Aqui, fica mais do que claro que não é preciso usar dezenas de efeitos ou instrumentos por todos os cantos. “Disconnected” é outra que também merece todos os tipos de saudações possíveis – tudo isso sem mencionar o maravilhoso trabalho de Juan Antonio Bayona no vídeo da canção.

“Watch How You Go” tem uma melodia calma e retrata o fim de um relacionamento onde não há raiva ou arrependimento, apenas aceitação. As três faixas seguintes, “Sovereign Light Café”, “On The Road” e “The Starting Line”, são aquelas que fazem toda a diferença em um álbum – tanto é que a primeira acabou escolhida como single.

Apenas para curiosidade, a ideia para a faixa veio quando Tim estava sentando em um ônibus que saía do aeroporto de São Paulo a caminho do hotel onde os rapazes se hospedavam.

Logo encontramos “Black Rain” e segundo Tim, “todo disco da Keane traz uma faixa que fala sobre guerra, essa representa a de ‘Strangeland’. É sobre tentar entender e ver as coisas do ponto de vistas dos humanos”.


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As quatro faixas que encerram o disco, “Neon River”, “Day Will Come”, “In Your Own Time” e “Sea Fog”, são de grande destaque – em especial a primeira e a última.

Enquanto “Neon River” trata de uma garota que não poupou esforços para cumprir seus desejos, “Sea Fog” tem uma composição tão simples, assim como o arranjo da faixa, e ao mesmo tempo emocionante. É o tipo de música que você reflete e tem a conclusão de que só poderia ter saído de alguém brilhante como Tim. Não imagino outra faixa que fecharia melhor o disco, se não esta!

O que se tira de conclusão é que este disco evidencia o amadurecimento da banda no âmbito pessoal, é mais do que uma simples volta ao básico. Para quem é fã da Keane desde o princípio, “Strangeland” pode ser visto como um presente, um agradecimento por acompanhá-los e crescido com eles durante todo esse tempo.

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