DivulgaçãoLançado em dezembro do ano passado, “Live From Paris” é a prova final de que a artista, mesmo se tornando uma estrela global, não perdeu o carisma do começo.
A mutação física é visível. O corpo, curvilíneo e rechonchudo, ficou esbelto. Os cabelos, negros e lisos, ganharam cachos e um tom altamente platinado. Mas os pés continuaram tocando o solo nestes mais de 20 anos dedicados à música. A mesma Shakira, que em 1997 mostrou os pés no Programa Livre – extinta atração vespertina do SBT – é a mesmíssima que se apresentou em Paris nas noites de 13 e 14 junho de 2011 na “Tour Sale El Sol”. A artista cresceu, ganhou o mundo e uma legião de fãs. E mesmo assim, manteve-se com os pés descalços e no chão.
O DVD “Shakira: Live From Paris”, lançado em dezembro do ano passado pela Sony Music, abre de uma forma nada convencional – pelo menos para uma artista deste porte. Shakira não desce de nenhuma grande estrutura de metal, e tão pouco há toneladas de fumaça ou luzes contornando a silhueta. Ela está no meio do público enquanto começa com “Pienso en ti” – de seu disco “Pies Descalzos”, lançado em 1996.
Foto: DivulgaçãoMas não espere uma apresentação simplista e bicho-grilo. A primeira faixa é apenas o prelúdio para o pop repleto de referências que a cantora vem entregando desde 2001 com “Laundry Service”. Misturando hits como “Hips Don’t Lie” e “Whenever, Wherever” – dignamente refeita com riffs e pegada no rock – e faixas da época que o seu foco era o mercado latino, como “Ciega Soromuda”, Shakira revisa a sua carreira e se entrega de corpo e alma ao público em mais uma turnê devidamente registrada.
O respeito e a necessidade de estar mais próxima dos fãs é tão grande, que toda a interação é feita em francês, mais um dos idiomas que ela domina, além do inglês, português e alemão. Até uma aula de dança do ventre – molejo que ela trata de colocar em quase todas as performances, mesmo nas que nada tem a ver com cultura árabe – cabe entre “Whenever, Wherever” e “Inevitable”.
Por mais que turnê faça parte de “Sale El Sol” – último disco lançado em novembro de 2010 – o show não é focado nele. Do trabalho, destaca-se o clima pseudopsy em “Loca” e a choradeira travada na faixa-título. Porém, “Live From Paris” faz jus ao nome do disco que o originou e a cidade escolhida para a gravação. Shakira subiu ao palco na cidade luz e mostrou que a sua vivacidade continua brilhando tanto quanto o sol.
Jornalista por formação e webdesigner com mais de meia década de experiência. Ama Pop, mas também não consegue ficar sem Samba.