Pra que inovar, se podemos reciclar?

Por Yhury Nukui comentários

Depois que começaram a surgir as versões deluxe dos álbuns, a indústria nunca mais foi a mesma. Veja bem, não sou contra o relançamento de discos, mas a tática tem sido usada a todo e qualquer custo e a maioria dos artistas não sabe dosar o grande trunfo que tem nas mãos.

Katy Perry
Foto: Reprodução/Elle

O exemplo mais evidente nos últimos dois anos foi Katy Perry e o enfadonho “Teenage Dream”. O disco é bom? Sim, é! Depois da versão privilegiada do álbum, seis singles lançados e ninguém mais aguentando ouvir o material, eis que a musa californiana nos surpreende com um relançamento. O resultado foram mais duas músicas de trabalho novas: “Part Of Me” e “Wide Awake”.

Mas a estratégia de tentar quebrar o recorde do Rei do Pop – que nunca vendeu singles a míseros centavos – com a “The Complete Confection” foi posta de lado quando a Billboard mudou as regras e anunciou que os singles do “novo” disco que chegassem ao topo da Hot 100 não seriam contabilizados para a versão comum.

Para nos cansar de uma vez por todas, Katy ainda lançou um filme contando toda a sua história, mixando apresentações da turnê “California Dreams”. Mas agora me responda: você consegue parar pra se deliciar com o “Teenage Dream” (sem pular nenhuma faixa) mesmo depois dessa presepada toda de relançamentos e singles em #1 a todo custo?

Nicki Minaj é outra adepta da reciclagem. Depois do “Pink Friday”, a moça lançou um segundo álbum, “Pink Friday: Roman Reloaded”. Mas, se era um disco inédito, por que ela colocou um “Roman Reloaded”? Tudo bem que o projeto é focado em seu alterego, Roman Zolanski, mas não podia escolher um outro nome?

E agora, seis meses depois, a rapper anunciou que vai relançar o projeto com nome de “Pink Friday: Roman Reloaded – The Re-Up”. Ser fã de Nicki deve ser bem legal, porque ela faz clipe da maioria das faixas do disco, lança um single atrás do outro e ainda aparece em trocentas parcerias com outros artistas. Por outro lado, essa divulgação massiva chega a confundir o público. Chega num ponto que você precisa parar pra pensar em qual disco aquela música está ou se ela é só uma participação especial.

Quanto mais novo for o artista, mais relançamento ele vai ter, Justin Bieber que o diga. Depois de explodir com o EP “My World”, o moço lançou uma sequência, “My World 2.0”, o que (até aí) não seria problema. Mas em seguida vieram o “My Worlds” (com músicas dos dois EPs juntos), “My Worlds Acoustic” e “My Worlds: The Collection”, que nada mais é do que as músicas da versão comum somadas as do acústico. Nesse meio tempo, ele também lançou “Never Say Never: The Remixes”. Tá bom pra você?

Nicki Minaj e Justin Bieber
Relançamentos? Nós provamos, gostamos e aderimos. Foto: Reprodução

David Guetta é outro que adora um relançamento. Alguém sabe quanto tempo ele viveu com o “One Love”? Porque eu perdi as contas. Com a era atual, a “Nothing But The Beat”, o moço já lançou uma nova versão e é tão preguiçoso que só se deu ao trabalho de mudar o fundo da foto da capa, que é a mesma da edição comum.

A indústria fonográfica se vê num impasse onde seus artistas pouco se preocupam com a qualidade musical. Só querem relançar materiais sem se importar com o fã que vai comprá-lo só por ter, na maioria das vezes, duas ou três músicas a mais. Ok, que nada disso aconteceria se os admiradores desses cantores “boicotassem” discos desse tipo, mas todos nós sabemos que isso é praticamente impossível!

Quando alguma coisa faz sucesso, os artistas/gravadoras veem que aquela fórmula deu tão certo que espremem o projeto até a última gota. Mas, a verdade mesmo é que eles tem medo de se desvincular de um disco de sucesso para tentar se arriscar com algo inovador e acabar sendo fadado ao fracasso. Falta coragem de dar a cara pra bater.

Feliz é Rihanna, que lança um disco atrás do outro e não fica de frescura nenhuma com relançamentos – com exceção da divertida era “Good Girl Gone Bad” que, num ponto, parecia nunca mais acabar. A imagem cansa? Óbvio que sim, mas é muito melhor do que ficar reciclando um material até não dar mais.

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