O grito de socorro de Britney
Por Yhury Nukui comentários

É engraçado como o destino sempre conspira a favor de Britney e Christina e as colocam frente a frente em determinados pontos da carreira. Ambas começaram juntas no “Clube do Mickey”, fizeram sucesso no início da década de 2000 com o sex appeal escondido em forma de canções “inocentes”.
E mesmo depois de tanto tempo, não é que elas continuam sempre juntas? Xtina está à frente do “The Voice”, Britney com o “The X Factor”. A primeira vai lançar uma farofinha com Pitbull e a segunda, com will.i.am. Mas hoje, 26 de outubro, as duas comemoram o nascimento de suas respectivas obras-primas, “Stripped” e o “Blackout”. E é do disco da Princesa do Pop que eu vim falar.
“Blackout”, que completa cinco anos, veio em forma de carta aberta aos fãs. Nunca em toda a sua carreira, Britney tinha se exposto de tal forma com seu público e, mesmo não tão diretamente como Xtina em “Stripped”, soube expressar exatamente o que queria na pior fase de sua vida pessoal. A era já começou com o pé-esquerdo logo na apresentação no Video Music Awards com “Gimme More”, que de bom só trouxe a frase icônica: “Its Britney, bitch!”.
O disco também foi o primeiro da cantora a não ter um espaço no encarte dedicado aos agradecimentos, comum em materiais de todos os artistas. Afinal, pra que agradecer se tudo que ela tinha que falar estava evidente nas doze canções? Em “Piece Of Me”, Britney não poupa as críticas aos fotógrafos que, em todas em épocas – boas ou não – de sua carreira, sempre a perseguiram. “I’m miss most likely to get on the tv for slippin on the street / When getting the groceries, now for real/ Are you kidding me?”.
“Blackout” é mais do que um disco que popularizou o dubstep – tão usado nos dias de hoje – nos Estados Unidos. A contragosto de muitos dos fãs, a fase “obscura” de Britney não será esquecida e eu agradeço por isso. Pra quê a hipocrisia? Todos nós temos os nossos momentos ruins e a “pequena” diferença é que Britney ficou exposta perante a mídia e acabou massacrada sem dó nem piedade. Mas esse é o peso que se carrega estando sempre nos holofotes.
Não, não haverá uma outra Britney Spears. Assim como não haverá outra Madonna. Ou outra Christina Aguilera. Cada uma teve uma história pra contar e compartilhou com os fãs como quiseram. Se não houvesse o “Blackout”, Britney não seria a fênix do pop, não teria se reerguido e dado a cara pra bater em todos aqueles que não acreditaram em seu retorno.
“Ah, Britney é mudinha, fulana tem a voz da geração”. Cada um tem a sua particularidade. Ela nunca pediu pelo título de “melhor cantora”, assim como nunca pediu pelo de “Princesa do Pop”. Britney só fez sempre o que quis com maestria e, admitam ou não, será marcada para sempre na história da indústria fonográfica. E pra quem é mudinha, ter cem milhões de discos vendidas até que não é nada mal!
O “Blackout” me faz parar pra pensar se alguém conseguiria vivenciar tudo que ela passou, completamente exposto pela mídia, e ainda assim presentear os fãs com um álbum tão singelo, sem barreira de tempo ou espaço. “Blackout” é Britney se expondo. É Britney gritando. É Britney mandando um f*da-se. É Britney pedindo socorro. Deixem-na viver, é só o que ela pede!





