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O Circo Chegou!

Publicado em Por Luccas Belfort

Em 2009, Britney Spears armou um verdadeiro circo para rodar o mundo e coroar sua volta aos palcos. vamos relembrar esta turnê no nosso aquecimento para os shows da cantora no Brasil?
Britney Spears Circus
Fotos: Reprodução

Depois dos momentos turbulentos que Britney Spears viveu em 2007, o público esperava ansiosamente uma volta por cima. O álbum “Circus”, lançado no final de 2008, marca a volta da cantora, sã e salva, ao cenário musical com a dignidade restabelecida.

Para provar que também estava pronta para os palcos, Britney fez as malas e saiu com a turnê “The Circus Starring Britney Spears” pela América do Norte em março de 2009. Mas o show, que marcaria um retorno triunfal, tinha que ser um verdadeiro espetáculo e digno de seu histórico. Wade Robson, que já havia trabalhado com Spears, foi chamado para dirigir, mas logo depois foi substituido por Jamie King, mestre responsável pelas maiores turnês de Madonna, Christina Aguilera e outras artistas consagrados.

Primeiro, foram anunciadas 37 datas na América do Norte e 22 na Europa, sendo que 8 shows seriam realizados em Londres entre 3 e 14 de julho. Antes do encerramento europeu, Britney anunciou que faria mais 24 apresentações no território norte-americano. Ufa! Mas a turnê não acabaria por aí! Em novembro, ela e o seu circo se apresentaram mais 14 vezes na Austrália. Chega! Os 97 shows foram o suficiente para arrecadar mais de 130 milhões de dólares.

E o palhaço o que é?

Para armar um verdadeiro circo, Spears contou com a ajuda de profissionais da área para desenvolver um show eletrizante para entreter os fãs, que não viam um grande show seu desde o final de sua última turnê, em 2004. Jamie King ficou responsável pela coreografia, enquanto o elenco do Big Apple Circus – um dos maiores circos americanos, situado em Nova York – se responsabilizou pelos números circenses.

Britney também fugiu do formato padrão para palcos e instalou uma mega estrutura nas arenas onde se apresentou. O palco consistia em três picadeiros redondos no meio da pista, o que proporcionava a todos os espectadores uma visão completa do espetáculo, como num grande circo tecnológico.

Britney Spears Circus
Foto: Reprodução

As músicas do disco “Blackout”, lançado durante a má fase da cantora, eram maioria na setlist. Do disco promovido, “Circus”, Britney cantava apenas 3 músicas (quatro, se contarmos as modificações feitas para a fase europeia). Os maiores hits da loirinha, como “…Baby One More Time!” e “Slave” também não ficaram de fora, sempre com uma nova mixagem para manterem-se frescas.

Quando o show começava, uma introdução abria os trabalhos de uma forma bastante inesperada. Nos telões cilíndricos ao redor do palco, um vídeo trazia Perez Hilton, o fofoqueiro mais odiado da internet, vestido como a Rainha Elizabeth I, apresentando a chegada do circo freak de um jeito bastante irritante. Por sorte, a cantora aparecia no fim do clipe com uma balestra e atirava na petulância.

As músicas foram divididas em cinco segmentos: “Circus”, a abertura do show que introduzia o tema; “House Of Fun (Anything Goes)”, formado por números de diferentes temas e truques de mágica, com hits como “Boys”; “Bollywood”, inspirado nos ritmos indianos, com um remix incrível de “Me Against The Music”; “Freakshow/Peepshow”, com as performances mais sensuais e provocativas, que contavam com a participação de um fã em “Breathe On Me”; e “Electro Circus” com números mais enérgicos para sucessos como “Do Somethin’” e “Toxic”. O carro-chefe do álbum, “Womanizer”, encerrava o show em grande estilo.

Os figurinos eram ousados, extravantes, brilhantes e feitos para favorecer o corpo e o poder da Deusa. Tudo desenhado pelos gêmeos Dean e Dan Caten, responsáveis pela DSquared2. Os estilistas desenharam cerca de 350 roupas para todo o elenco.

O ilusionista e comediante Ed Alonzo usava Britney como sua assistente em três números de mágica durante a performance de “Ooh Ooh Baby”, no segundo bloco do show. Ed também apresentava alguns números antes de “Breathe On Me/Touch Of My Hand” e “Mannequin”.

Another day, another drama

A turnê foi marcada por novidades e surpresas a cada show. Depois de algumas apresentações engessadas, seguindo a risca o que foi dirigido por King, Britney começou a mexer os seus pauzinhos e fazer modificações.

Também houveram modificações nos acessórios e no figurino. Um óculos, um chapéu, uma peça de cor diferente… Em alguns meses, Brit já tinha mudado completamente algumas roupas. As camareiras justificaram as mudanças como escolhas da própria cantora, que queria incorporar novidades sempre para que os shows não caíssem na rotina e ela pudesse oferecer diversão ao público todas as noites.

Britney Spears Circus
Fotos: Reprodução

Os fãs nunca sabiam o que esperar, principalmente quando a cantora apresentava “Toxic” e “…Baby One More Time!”, porque os sues figurinos mudavam toda noite. O bloco de “Slave” também sofreu mudanças drásticas. Até na cor do cabelo ela mexeu!

Mas não parou por aí! Logo durante o primeiro show, Britney desistiu de um cover que faria da música “I’m Scared”, da britânica Duffy. Sem mais nem menos, a música começou a tocar a Spears saiu andando.

No show realizado em Paris, outra novidade! Britney havia coreografado um novo número com a ajuda de seus dançarinos e “Mannequin” entrou para a setlist da turnê europeia. A performance era simples e a indumentária improvisada. A surpresa agradou os fãs, afinal, Britney só cantava três canções do último álbum até então.

Mas a grande surpresa aconteceu no dia 5 de setembro, durante a segunda fase norte-americana. Depois de “Everytime”, a cantora voltou ao palco com um microfone de mão e quatro bailarinos para cantar – completamente ao vivo – um cover de “You Oughta Know”, clássico maravilhoso de Alanis Morissette. A cantora assumia uma atitude mais rock n’ roll e deixou todo mundo de queixo caído. A música só fez parte do show até o dia 18 de setembro e não foi apresentada na Austrália.

Recepção

No geral, a turnê recebeu críticas positivas da imprensa. Claro, sempre que possível os veículos alfinetavam ou diminuiam os méritos da cantora, mas no fundo, todos estavam felizes que a Princesinha do Pop não havia perdido o posto.

Depois de tudo, Britney estava madura e encarando os palcos de uma maneira diferente. A espontaneidade estava abalada no início da turnê. No início, Spears estava tímida, mal falava com o público, muito menos interagia. Aos poucos, a cantora foi criando coragem para se soltar.

Britney Spears Circus
Foto: Reprodução

Essa turnê talvez tenha sido maior do que Britney aguentava. Pra quem estava afastada – por motivos pesados – do trabalho por quase cinco anos, a cantora se saiu bem nessa empreitada de se adaptar novamente aos palcos e provar a todos que não tinha perdido o ritmo.

A “Circus Tour” foi a quarta turnê mais lucrativa dos Estados Unidos naquele ano e a mais lucrativa turnê realizada por um artista solo. Os milhões de dólares arrecadados fizeram de Britney Spears a artista mais jovem na lista dos vinte que mais lucraram com turnês na década.

Algum DVD ou filmagem profissional foi lançado? Não! A turnê veio para o Brasil? Não! Por quê? Só a Deusa sabe. Eu acredito que esse foi um show para ser deixado na memória. É uma das maiores e mais importantes turnês da cantora e deve ser respeitada, não só pela grandeza do palco ou pelos efeitos especiais elaborados, e sim pelo quanto essa volta aos palcos representa para os fãs e para a carreira da loira.

Para os fãs de verdade, foi um presente. Um presente de agradecimento pelos anos que aguardamos, torcemos e não abandonamos nosso ídolo. Um presente de Natal! “Merry Christmas!!!”


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