“National Anthem” dá cor ao primeiro presidente dos Estados Unidos que deu abertura ao movimento negro

Por Jader Gomes comentários


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Lana Del Rey é um caso curioso no atual cenário da indústria fonográfica, ou melhor, um paradoxo ou vários. Quando surgiu, causou certa movimentação e todo mundo ficou encantado com sua impactante imagem retrô. O clipe de “Born To Die”, seu primeiro single, deixou todo mundo ansioso por mais e também por seu disco de estreia sob essa identidade. Quando este chegou, a expectativa era tanta, que a facilidade em decepcionar também ganhou chances monumentais de acontecer. Talvez por tal motivo, a promissora Lana foi aos poucos sendo colocada em escanteio, se apagando num meio que da mesma forma que acolhe, manda embora.

As críticas quanto a sonoridade de suas músicas viraram piada de todos os tipo na internet, como acontece com tudo – ou quase tudo – e o disco de Lana resumiu-se, aos olhos e aos ouvidos, como um belo “sonífero”. A performance ao vivo da moça também não agradou. Mas o que é inegável nessa história toda é que seus videoclipes são verdadeiras obras-primas. “Blue Jeans” é um afago aos olhos, com sequências e cenários bem escolhidos e uma fotografia perfeita.

Hoje, ela nos trouxe “National Anthem”, que com todas as honras dá continuidade ao bom gosto de seu trabalho audiovisual. Nele, a jovem não é só Jacqueline Kennedy, mas também Marylin Monroe, mostrando que sim, pode assumir várias identidades, até mesmo opostas e que desconversam entre si – seria uma forma de dizer que Lana Del Rey e Elizabeth Grant também são assim? Bom, de qualquer forma, a grande sacada está na figura negra do ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy.

Contextualizando, na década de 60, a luta pelos direitos negros, liderada por Martin Luther King, ganhava força após a eleição de Kennedy. Projetos começaram a chegar ao Congresso dos Estados Unidos com o intuito de que uma legislação federal fosse criada para garantir o fim da política de segregação racial praticada em alguns estados americanos. Além, há o notório caso em que John Kennedy interviu com o então governador do Alabama, George Wallace, que não admitia estudantes negros na Universidade do estado. Mas, como todos nós sabemos, ele foi assassinado antes de completar três anos no poder.

Por isso, a escolha do rapper A$AP Rocky para o papel não foi aleatória. E sim uma forma de deixar claro que o reflexo daquilo que os Estados Unidos vive hoje – com seu primeiro presidente negro em mandato – iniciou lá atrás, quando Luther King encontrou, de alguma forma, apoio no primeiro todo poderoso das Américas que deu alguma chance, por maior ou menor que seja e pareça, para que Barack Obama, negro como é, esteja onde está.

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