MPB do Dia: Are you sure?

Por May Barbosa comentários

A banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico esbanja irreverência e criatividade com o sambinha “Insensatez – a Mulher Que Fez”. Na música, contam a experiência de um suposto “fio terra” proporcionado pela esposa ao marido na lua de mel.

Resultado: o moço acaba gostando da experiência e se perde na dúvida, e no prazer, de um “para, continua, continua, para, para, para, continua, para…”. O clímax na canção vem do divertidíssimo e ambíguo trecho: “baby, você me arrombou, resolvi virar um guein guein guein”.


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“Insensatez” é uma das faixas do álbum que leva o nome da agrupação, “Graviola e o Lixo Polifônico”, de 2008. A banda traz uma proposta de reciclagem de diferentes gêneros da música e sempre com um tom de brasilidade – como é perceptível em seus três discos lançados. Um verdadeiro liquidificador de experimentações e música nacional.

MPB do Dia: me diz pra onde é que inda posso ir

Por André Pacheco comentários

Daí se você junta na mesma composição dois mestres da dor de cotovelo? Bem, você consegue uma das músicas mais depressivas da história do Brasil, e com um título pra lá de sugestivo. “Eu Te Amo”, composta por Chico Buarque e Tom Jobim, foi lançada em 1980 no disco “Vida”, de Buarque. Como estamos falando de drama, o amor que era pra ser algo simples, acaba sendo complicadinho pra caralho.


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“Eu Te Amo” é daquelas faixas atemporais, até mesmo porque a dor de cotovelo tá aí passando de geração em geração. Ou, até mesmo porque, assim como são contadas nos versos, as situações sofríveis de amor estão em qualquer lugar, seja perdendo a noção da hora ou na desordem de um armário embutido.

MPB do Dia: modéstia à parte, quem nasce na Vila aprende mais cedo

Por Guilherme Azeredo comentários

Mart'nália
Foto: Divulgação

Nem só de de pop vive o homem. Saindo um pouco da minha “zona de conforto”, conheci a Martnália Mendonça Ferreira, popularmente conhecida como Mart’nália, e me apaixonei.

Filha de Martinho da Vila, Mart’nália entrou em contato com o samba muito cedo, aprendendo a sambar, cantar, tocar pandeiro e violão nas rodas da Vila Isabel. A música “Pra Mart’nália” confirma que por ter nascido no berço do samba, ela aprendeu tudo o que sabe. “Modéstia à parte, quem nasce na Vila aprende mais cedo”, canta orgulhosa.


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Pode ser que você nunca tenha ouvido falar em Mart’nália, mas provavelmente deve ter ouvido “Cabide”, presente da Ana Carolina, na novela “Paraíso Tropical” em 2007. Lembra?

Com dez discos lançados, a cantora coleciona grandes parcerias, como com Maria Bethânia — que lançou o quinto álbum “Menino do Rio”, além de fazer toda a direção artística do CD e emprestar a voz — e Caetano Veloso. Dois desses discos foram gravados ao vivo na África e em Berlim.

MPB do Dia: mas no terreiro também tenho um santo como propetor

Por André Pacheco comentários

Aline Calixto
Foto: Divulgação

Tirando a poeira dessa seção, que não vê um post desde novembro quando falei do Filipe Catto. Na verdade, tirando a poeira do Vestiário. Cof! Cof! Cof! Pronto, casa limpinha e pronta pra receber uma sugestão de música das boas.

Gosta de samba? Melhor, deixa eu reformular a pergunta. Gosta daquele samba com um pé na macumba? Aquelas melodias gostosas à la Clara Nunes, batendo o tambor mas sem “tic-tic-tac”? Então, eu gosto. E muito. Talvez por isso eu seja apaixonado pelo som feito pela mineira de coração e carioca de sangue Aline Calixto. Em 2009, ela lançou o seu primeiro álbum e trouxe a faixa “Tudo que sou”.


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Aline Calixto tem uma voz forte, encorpada. O tom, grave, se distancia da maioria de suas colegas que se arriscam pelo samba. No palco, traz um gingado próprio e uma postura sensual e poderosa, uma Iansã, uma deusa. É impossível não ficar com os olhos grudados em Aline enquanto ela performa alguma música.

“Tudo que sou”, infelizmente, não conseguiu fazer muito sucesso. Mais culpa do mercado, que há muito largou o samba de lado e colocou o gênero num nicho muito específico. Mas abriu as portas pra artista, que em 2011 lançou o seu segundo disco, “Flor Morena”.

MPB do dia: dizem que é mulher da vida, mas vale mais que ouro para mim

Por André Pacheco comentários

Filipe Catto
Foto: Divulgação

São duas da manhã, domingo, dia 28 de outubro de 2012. A noite promete! Promete muito código prum frila que tenho que entregar logo mais. “Que tal escutar uma música de leve pra animar o job?”, pensei. Fui à minha estante e peguei um disco de MPB. Escolhi o material de estreia do Filipe Catto.

Coloquei o CD do rapaz pra tocar no notebook. Prefiro escutar diretamente do disco do que em MP3, a qualidade é infinitamente melhor. Ganhei “Fôlego” da Univerasl Music Brasil quando foi lançado no final do ano passado, mas nunca cheguei a escutar o material. Resolvi dar uma chance pra ele hoje. O encarte, que eu tinha foleado na época como bom designer que sou, é lindo – não poderia deixar de dizer.


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Não sei porque motivo, pulei diretamente pra segunda faixa, “Gardênia Branca”. Deve ser por causa do título. Quando a faixa começou, pensei: “legal, um dueto com uma cantora de MPB”. Mas nada da voz de Catto aparecer, só tinha a tal cantora. A música acabou e então me dei conta, essa “tal de cantora da MPB” era o rapaz. A voz de Filipe Catto é aguda, com um certo quê de Ney Matogrosso.

Se valeu escutar? Valeu, e muito. Há muito tempo não me deliciava com uma música surpreendente – não apenas por causa do susto com a voz de Catto (que assina a composição), mas pela letra. “Gardênia Branca” é sobre um affair com uma “mulher da vida”, mas que “não é puta não”. “Essa nega de noite quando deita na cama dorme tranquila, pois não teme a ninguém”, diz uma parte da letra. Vou me inspirar nela, pois tenho um trabalho pra entregar daqui a pouco e também não quero dever nada pra ninguém.

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