MPB do dia: o sol na cabeça, o sol pega o trem azul
Por André Pacheco comentários
Sabe aquelas músicas que vão te acalmando acorde por acorde, palavra por palavra? Mas ao mesmo tempo, criam cenas na sua cabeça até a mente ficar vidrada na narração? É essa a vibe de “O Trem Azul”, uma mistura de realidade com ficção próxima ao êxtase, e sem a necessidade de muitas palavras pra contar uma história.
Escrita no início da década de 1970 por Lô Borges e Ronaldos Bastos, a faixa acabou se tornando mais que um ícone da MPB. “O Trem Azul” é uma das representações máximas do movimento Clube da Esquina – que também nomeou o primeiro disco da trupi que trouxe, além de Lô e seus dois irmãos Marilton e Márcio, Milton Nascimento – e mais uma penca de gente, como Flávio Venturini e Beto Guedes.
Se a Bahia teve o efusivo Tropicalismo, Minas Gerais juntou a sua máxima “se não tem mar, vamos pro bar” com poesia e, porque não, um pouco de Beatles. Com um jeitinho bem mineiro, de dizer muito sem contar muita prosa, “O Trem Azul” tem aquela sonoridade gostosa de “um banquinho e um violão”. A faixa também foi regravada por duas vozes famosas da MPB, Elis Regina e Tom Jobim – que também fez uma versão em inglês.
Se quiser desligar um pouco da vida, pegue um imaginário trem azul – que no contexto de Minas Gerais pode ser qualquer outra coisa além de uma locomotiva – e deixe o sol iluminar os seus sonhos.





