MPB do dia: moramos no braseiro, a coisa aqui tá quente

Por André Pacheco comentários

Roberta Sá
Roberta Sá em foto promocional do disco “Que belo dia estranho pra se ter alegria”. Foto: Divulgação

Ah, a Roberta Sá! Moça bonita, moça charmosa, moça talentosa. Com cinco discos nas costas, a cantora começou em 2004 com “Braseiro”. E começou muito bem, obrigado!

O material traz uma coletânea da boa música brasileira com muita pitada de samba. “Eu sambo mesmo”, “Pelas Tabelas” e “Ah, se eu vou” são os grandes destaques do disco, que tem até uma parceria com Ney Matogrosso. Mas é na faixa-título que Roberta se deu melhor, pelo menos na minha opinião. Com letra em forma de prosa, a cantora descreve bem certos aspectos da nossa cultura.


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“No braseiro” é uma faixa deliciosa, que desce pelos ouvidos enquanto destila críticas sobre a nossa classe média – e ainda vem com uma leve homenagem ao famoso “ô ô ô” de Clara Nunes em “Canto das três raças”. Nada mais poético que casar uma composição em tom de crítica ao comportamento egoísta dos moradores de bairros bons, com uma música que exalta a nossa mistura de etnias. Não que Roberta tenha desmerecido Clara, enxergo o contrário, principalmente nos versos “eu quero paz, justiça e alegria”, um dos motes de Nunes.

A faixa ainda traz a participação de Pedro Luís e a Parede, que também assina a letra.

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