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Madonna não é Rainha da Bateria, mas samba na cara

Publicado em Por André Pacheco

Não, Madonna não fez a Alicia Keys featuring Beyoncé Knowles e se vestiu com plumas e paetês nos morros cariocas. Até mesmo porque Madonna não é o tipo de garota que engavetaria um clipe com tudo para dar certo, não é mesmo? Estou apenas usando a tão comum expressão.

Para quem não sabe, “sambar na cara” é quando uma alfinetada é tão bem pensada e cheia de personalidade que não deixa espaço para nenhum revide. É, literalmente, as duas palavras que a formam. E isso foi feito com maestria por Madonna no clipe de “Give Me All Your Luvin’” – lançado oficialmente em seu canal no YouTube no fim da manhã de hoje, 03 de fevereiro.


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O primeiro single de “MDNA” é a volta da Rainha após o patético “Hard Candy” de 2008. O vídeo, assinado pelo quarteto francês Megaforce, soa muito mais como uma excelente indireta do que apenas como material de divulgação audiovisual. Mas, pera aí! Indireta para quem, cara pálida?

Para qualquer uma dessas cantoras ambiciosas e cheias de atitude que surgem vez ou outra na indústria. Para qualquer uma dessas cantoras que pensam ser a “nova Madonna” – como se fosse possível substituir um ícone. Para qualquer uma dessas cantoras que acham que impactar com imagem é meramente sair usando todo e qualquer penduricalho encontrado nos brechós do pop.

Madonna abre o clipe “Give Me All Your Luvin’” com algumas palavras, como se fosse um prefácio de sua própria carreira. “Fãs podem fazer você famoso. Um contrato pode fazer você rico. A imprensa pode fazer você uma superestrela. Mas apenas o amor pode fazer você um jogador”. Lembrando que jogador aqui vem como alguém apto a lutar nas adversidades que surgem pelo caminho. E, dentro do pop, Madonna é um do melhores jogadores que já surgiram.

Depois vem a faixa, que já começa com a alfinetada “L-U-V Madonna! Y-O-U You wanna?” (A-M-O Madonna! Você quer?). Para bom entendedor, uma frase soletrada basta. Ou você acha que a música é única e exclusivamente sobre um possível namorico de uma mulher carente? Pelo amor, estamos falando de Madonna. A mesma cantora que deu uma boa indireta em uma certa instituição religiosa, quando em 2005 na faixa “Sorry” cantou os pedidos de desculpas do sujeito em vários idiomas.

No clipe de “Give Me All Your Luvin’”, Madonna é uma cheerleader aposentada, e agora mãe de família, que passa por diversos obstáculos, mas sempre contando com a proteção – vezes suicida – de um fiel time de futebol americano e com outras torcedoras seguindo o seu rastro. Exceto Nick Minaj e M.I.A., todas as outras cheerleaders são trazidas diretamente de “Another Brick In The Wall”, clássico videoclíptico do Pink Floyd. Elas não têm expressão e nem personalidade, apenas copiam a sua verdadeira “mãe”.


Chuva de fogo, tentativa de assassinato, andar pelas paredes… São as missões e percalços no caminho da Rainha do Pop. Quando menos esperamos, ela vira a divindade da cultura pop Marilyn Monroe. A paixão e a devoção de Madonna por Monroe é lógica. Um ícone só existe se ele tiver significado, e este significado vem através de ícones anteriores. Não é como uma sucessão ou evolução, é apenas o caminho natural.

Aqui está a principal diferença entre Madonna e qualquer uma dessas outras cantoras – que ela não quer como filhas, pois ela abre mão dessa maternidade. Madonna nunca foi a “nova alguma coisa”. Não é a cópia de fulana ou ciclana. Não veio na rabeira de ninguém. Ela sabe disso, o mundo sabe disso. Claro, ela é fruto de seu tempo. Usou os debates e as discussões dos anos 1980. Mas sempre transformou tudo com originalidade, tanto que ganhou a alcunha que ostenta com orgulho neste vídeo.

Madonna é a Rainha do Pop não apenas pelas polêmicas levantadas – e discutidas muitíssimo bem ao longo de uma carreira de quase trinta anos. Ela é Rainha do Pop por saber usar aquilo que é característica principal de seu reino. As referências. A cultura pop não é nada sem o recorta e cola, sem a mistura de elementos vindos dos mais diversos cantos – da filosofia à dança de rua. Do samba ao futebol americano. T-O-U-C-H-D-O-W-N Madonna!

Tirando o fato de Madonna ser a Rainha do Pop, este texto é a opinião de seu autor. Não é a única maneira de ver o clipe ou muito menos o que de fato a cantora pensou na obra.