Por Inês Amorim comentários
É difícil classificar o trabalho de Lucas Santtana. Em seu quinto disco, “O deus que devasta mas também cura”, o cantor e compositor baiano esbanja sonoridades, passeando do som acústico até batidas eletrônicas. De melodias dançantes à canções reflexivas. De ritmos brasileiros, como o samba, às influências de ritmos estrangeiros, como o dub.
O álbum é composto por dez faixas, sendo oito autorais e duas releituras: “O paladino e seu cavalo Altar”, versão de “This is not the fire”, da banda inglesa My Tiger My Time e “Músico”, composição de Tom Zé, Herbert Vianna e Bi Ribeiro. Além dos novos arranjos, a releitura de “Músico” contou com a participação da cantora Céu e do baterista Curumim – ambos fazem relativo sucesso fora do Brasil.
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Em “Vamos andar pela cidade?”, Lucas apresenta uma balada instrumental, a batida envolvente remete a um passeio despreocupado, desses de um domingo a tardinha. “Ela é de Belém” é uma homenagem ao techobrega, o ritmo que empolga, sobretudo, o Norte do país. O samba “Dia de furar onda no mar” cativa, principalmente pela participação de Josué Santana, filho de nove anos do Lucas. A angustiante “Para onde irá essa noite?”, emociona.
No fim, percebe-se que “O deus que devasta mas também cura” não é um disco fácil, não é para ser escutado com pressa, e sim, saboreado. Os acordes são resultado de um trabalho sofisticado, mostrando mais um vez o cuidado que caracteriza o trabalho de Santtana.





