Living Things; Linkin Park

Living Things

Linkin Park

Warner Music Brasil - 2012

4 estrelas

Por Yhury Nukui comentários

Talvez o que seja mais interessante no Linkin Park, é que eles nunca se repetem em seus discos e não são presos apenas a um único gênero – o que os diferem da grande maioria das bandas de rock. Mas, antes de começar a opinar sobre o “Living Things”, lançado mundialmente nesta terça-feira, 26 de junho, é preciso que seja feito um resumo dos dois discos anteriores, “Minutes To Midnight” e “A Thousand Suns”.

Os três álbuns tiveram o competente Rick Rubin a frente dos trabalhos de produção e são completamente distintos entre si. Enquanto “Minutes To Midnight” abandonou a sonoridade da banda – com muita guitarra, solos e elementos escassos do hip-hop – fazendo do vocalista Chester Bennington o centro das atenções, “A Thousand Suns” é o oposto. Tem uma pegada forte do hip-hop, destaque dessa vez a Mike Shinoda, letras extremamente políticas, com direito a um trecho do discurso de Martin Luther King, Jr. em uma das faixas.

Linkin Park nunca teve medo de arriscar com elementos que outras bandas de rock não usariam e com “Living Things” não foi diferente. As três primeiras faixas “Lost In The Echo”, “In My Remains” e o carro-chefe “Burn It Down”, fazem com que os fãs se recordem dos excelentes “Hybrid Theory” e “Meteora”, dois álbuns importantes tanto para eles quanto para a música. “Lies Greed Misery” é tão impactante quanto o nome e “Victimized” é, de longe, a mais agressiva e pesada do disco e também a segunda de menor duração: apenas um minuto e quarenta e seis segundos.


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“I’ll Be Gone”, uma faixa com uma melodia deliciosa com os vocais sempre impecáveis de Chester. “Castle Of Glass” traz uma pegada folk, que também aparece na excelente “Roads Untraveled”.

“Skin To Bone” é o tipo de música que eu só consigo imaginar bem com o Linkin Park. “Sua desilusão / Meu descontentamento / Quando seu nome estiver finalmente desenhado / Eu estarei feliz porque você se foi / Cinzas ao pó/ Poeira a poeira”, dizem os versos iniciais da canção. “Until It Breaks” é a próxima e a injeção de elementos eletrônicos traz todo um diferencial inovador à faixa.

A instrumental “Tinfoil” serve de interlúdio e faz as honras a “Powerless”, uma balada forte, impactante, que fecha o disco com chave de ouro, uma espécie de “Numb 2.0” – não que elas pareçam entre si, mas por sua importância no álbum. A faixa faz parte do filme “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros”, produzido por Tim Burton, e pode render bons frutos assim como “What I’ve Done”, “New Divide” e “Iridescent” que figuraram na trilha sonora da trilogia “Transformers”.


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O mais importante em um artista é saber reconhecer erros e corrigi-los. O Linkin Park fez isso com maestria, sabendo capturar a essência perdida de “Hybrid Theory” e “Meteora” – fase que os fãs precisam entender que não voltará, até porque eles cresceram e não querem se repetir – e o que fizeram de melhor em “Minutes To Midnight” e “A Thousand Suns”. Sabiamente, a banda soube agradar os fãs mais antigos e deram espaço para admiradores novos que, com certeza, aparecerão depois deste disco.

“Living Things” nada mais é do que como o próprio nome diz: vivência. É uma viagem em toda a discografia da banda, é pessoal, maduro e surpreendente. A co-produção de Mike Shinoda foi essencial para que o Linkin Park não perdesse sua essência nas faixas mais inovadoras com relação à sonoridade. Os integrantes Chester, Mike, Brad, Rob, Dave e Joe souberam mostrar de maneira louvável o porquê do sucesso de doze anos do Linkin Park – acima de tudo, evidenciaram que não tem medo de se arriscar.

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