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Espírito de jovem: 20 anos de “Nevermind”

Publicado em Por Wesley Muniz

O ano era 1991 e os maiores astros do rock atendiam pelo nome de Guns ‘n Roses, o frontman do momento se chamava Axl Rose. Parecia que o gênero estava estabilizado e toda as mudanças anteriores, da década de 80, já estavam garantidas para sempre.

Mas surge uma banda, cujo segundo disco acabara se tornando, involuntariamente, um marco histórico no mundo da música e o início de um novo movimento cultural – o grunge. O Nirvava parecia ter batizado o material com um nome qualquer. Apenas parecia.

Nevermind
Imagem: Reprodução

Toda a mídia, inclusive as gravadoras, descobriram um novo motivo para prender a sua atenção. A banda de apenas três homens fez mais do que lançar um disco com uma capa interessante e chamativa. Antes de “Nevermind”, o público jovem parecia estar desinteressado em descobrir e consumir músicas novas.

O segundo disco do Nirvana finalmente trouxe letras que serviriam de bíblia para toda uma geração, como há muito não se via na indústria. O primeiro single de “Nevermind”, “Smells Like Teen Spirit”, foi um hino de jovens cansados de viver na mesmice.


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“Come As You Are”, outro single que entrou para a história, dizia algo que todos precisavam ouvir. “Venha como você estiver, como você já foi, venha no seu tempo, se apresse, a escolha é sua, não se atrase”. Foi provavelmente em meio a essas estrofes que o Grunge ganhou roupa, e a juventude da época uma razão para serem como eram.

Claro que não foi apenas o som e os seus músicos que ganharam o gosto do público. A capa do trabalho se transformou em uma referência, chegando ao status de ícone da cultura pop nos anos 1990. A imagem é simples: um bebê nadando atrás de uma nota de um dólar. Mas é repleta de significado.

Milhares de jovens seguindo um único disco, escrito por três homens, que entendiam muito bem do que estavam falando em apenas doze faixas. “Nevermind” não tinha significado apenas para os jovens. As gravadoras também queriam ter a sua própria Nirvana e saíram procurando, principalmente em Seattle, bandas que falassem sobre os anseios e angústia dessa mesma juventude.

“Nevermind” trouxe para o mundo uma das maiores bandas da história, revelou uma cidade inteira e deixou “filhos” por todo o globo. Além disso, conseguiu ofuscar quatro grandes nomes do rock – Mother Bone Love, Alice in Chains, Soundgarden e Guns ‘n Roses viraram seres nostálgicos de uma década que parecia muito passado.

Duas décadas depois e eu não consigo me lembrar de um disco que tenha tido tanto significado. Cada estrofe, cada conjunto de notas, por mais confusas que pareçam, tinham e ainda têm sentido. Conheci “Nevermind” quase oito anos após o seu lançamento, e desde então não vi um disco que me satisfaça tanto. Como o próprio nome já diz, você gostando ou não, nevermind.