Britney Spears e a eterna discussão sobre talento
Publicado em Por Luccas Belfort
Quem foi ao show em São Paulo, se esqueceu que o maior talento da artista é ter superado tempos difíceis. É ter levantado do fundo do poço, onde foi desacreditada, abusada e sacrificada inúmeras vezes.
Não é segredo para ninguém, muito menos para os leitores do Vestiário, que eu sou fã incondicional da Deusa Britney Spears. Quando me perguntam o porquê de tanto fanatismo, eu não sei exatamente o que explicar. Mas na última sexta-feira, quando vi Britney pela primeira vez ao vivo, eu pude compreender o que ela tem que me encanta tanto.
Britney apresentou mais um show de sua turnê “Femme Fatale”, que está correndo o mundo desde julho deste ano e termina no comecinho de dezembro, em Porto Rico. Ao contrário do que alguns veículos insistem em dizer, essa turnê não marca a volta de Spears aos palcos, muito menos a retomada da carreira. O “comeback” já aconteceu há quase quatro anos, e já está mais do que óbvio que Britney voltou ao topo e não pretende descer tão cedo.

Mas Britney definitivamente não é mais a mesma, isso ficou completamente evidente no show que assisti, e vamos absorver esse fato como uma verdade absoluta. Dizer que a menina mudou de postura no palco não quer dizer obrigatoriamente que a coisa ficou ruim.
O show é maravilhoso. Um espetáculo de uma hora e meia – passa num piscar de olhos – que celebra a carreira da cantora e o seu último álbum, “Femme Fatale”, lançado em março deste ano. Satisfaz quem curte o trabalho novo e os clássicos. Enche os olhos dos espectadores com efeitos especiais, historinhas, cenários e aparelhos que ajudam na coreografia executada pela cantora e seus dezesseis animados bailarinos.
Porém, quem esperava um show de carisma como o de Katy Perry ou um tiroteio de polêmicas como as de Rihanna – que segundo Claudia Leitte veio aqui só pra beijar na boca e ser feliz daqui pra frente… – saiu da arena bastante decepcionado. Isso porque Britney Spears fez um show engessado e direto, sem parar para escutar o que o povo gritava ou fazer grandes surpresas. Surpreende às vezes com mudanças no figurino, e olhe lá! Dançou bem menos do que 10 anos atrás e não cantou nada. Tudo playback, do começo ao fim. Acreditem em mim, caros amigos, isso não foi uma exclusividade de São Paulo. Os shows de Spears são assim mesmo, e isso não é de hoje!
Porque a diferença entre Britney e as outras é o profissionalismo. Vamos pegar Ivete Sangalo como exemplo para evitar a briga entre fãs! Ivete nasceu, cresceu, descobriu amor pela música, descobriu um dom. Se aperfeiçoou, se dedicou e começou por baixo. Chegou onde está hoje por causa de seu trabalho e esforço. Ivete é uma profissional porque estudou e trabalhou para que isso acontecesse. Como eu estudei design, você estudou medicina ou astronomia.
Britney nasceu uma estrela. Desde pequena ela foi colocada no palco para cantar, dançar, sapatear. A menina prodígio cresceu sob os holofotes e, muito bem assessorada, se tornou um fenômeno pop. Mas vocês já pararam pra pensar que talvez ela poderia ter seguido por outro rumo se tivesse tido a chance de viver uma vida como a nossa? Não que eu ache que ela não gosta do que faz ou que seja obrigada, ok? Eu só acho que ela não é uma artista profissional, e sim uma estrela natural. Spears nasceu no palco, e nada vai tirá-la dele.
É mais ou menos por isso que a Madonna está intacta (?) até hoje. O que pra ela é trabalho, pra Britney é diversão.

Eu, num ato de insanidade, fiquei próximo ao palco – meu objetivo era enxergar o rosto da Deusa – e consequentemente, no meio de uma muvuca de fãs incontroláveis que não paravam de cantar, dançar, empurrar e tirar malditas fotos. Não fez a menor diferença se era playback ou não, porque pra te falar a verdade, eu não ouvi a voz dela em nenhuma música. Só gritei e cantei junto, porque afinal de contas eu estava lá para me divertir, e também para ter a certeza de que tantos anos de amor incondicional não foram em vão porque a mulher existe mesmo! E foi assim que eu entendi o que Britney já disse em algumas entrevistas.
Se deu mal quem não se entregou e ficou alí procurando as diferenças entre a Britney de hoje e a Britney do passado. Viu que ela não exibe mais a mesma silhueta – apesar de não ser gorda, viu?! – e que não faz mais as coreografias pesadas que fazia antes. E ficou com cara de tacho, se sentindo lesado.
Esqueceram que o maior talento de Britney Spears é ter superado tempos difíceis. É ter levantado do fundo do poço, onde foi desacreditada, abusada e sacrificada inúmeras vezes, e tido forças para subir de novo num palco e provar que, como diz a canção, é mais forte do que ontem. Se em 2007, alguém dissesse que em quatro anos ela estaria recuperada e fazendo uma turnê mundial para divulgar um álbum de sucesso, isso viraria piada.
Fica a lição. Você tem que ir a um show de Britney para se divertir. Larga a câmera, larga o conceito antiquado de música ao vivo. O objetivo de Spears é entreter e fazer com que o público se divirta, então se jogue. Eu me joguei de cabeça! Relembrei os últimos dez anos da minha vida, pulei e gritei as músicas que escuto desde os treze anos. Vi de perto um ícone da cultura pop mundial. Eu não poderia estar mais satisfeito hoje, de verdade.





