Beyoncé é tudo e um pouco mais
Publicado em Por André Pacheco

Em novo DVD, “Live At Roseland”, Beyoncé mostra porque é a artista da última década e ícone dentre tantas e tantas cantoras que tentam ser uma diva.
Nunca tive a oportunidade de ver Beyoncé ao vivo, infelizmente. O que sei, é através de vídeos de suas mais diversas performances em eventos, shows e programas. Por mais que eu tivesse o meu pé atrás com a cantora, nunca poderia, em hipótese alguma, dizer que ela não é uma boa performer, beirando ao excelente.
Eu digo “tivesse um pé atrás”, pois a cada dia, ela vem me ganhando um pouco mais. E em “Live At Roseland” – publicado na íntegra na noite de ontem no YouTube, mas infelizmente já tirado do ar – ela conquistou uma fatia a mais do meu respeito e consideração. Talvez ela esteja a poucos passos de arrematar mais um devoto fã.
Beyoncé é como poucas, ela domina o palco. Ela canta, dança, interage com a plateia. Ela faz com que não se consiga tirar os olhos do espetáculo, criando uma ligação forte, quase indestrutível, com o espectador durante qualquer apresentação. No registro “Live At Roseland” – um recorte de quatro shows filmado em agosto – ela consegue a proeza de quebrar a fria barreira da gravação e da edição ao lhe transportar para o seu lado, transformando a performance passada em presente.

Mas o que marca o material não é apenas a presença de palco de sua protagonista, são os vários cortes para inúmeros momentos de sua carreira, desde uma criança no Destiny’s Child, até a artista ovacionada com quatro discos solos e inúmeros recordes. E mesmo assim, sabendo e mostrando ao público que é uma cantora com uma trajetória de respeito, ela não sobe em um estardante, é humilde a ponto de ter respeito por sua própria carreira e legado.
A setlist, deve-se frisar, é cronológica. Começa no início da década de 1990 e termina (em sua maioria) com “4”, o seu mais recente disco lançado em meados deste ano. Das 26 faixas, nove são do último trabalho.
O material abre com o cover de “I Wanna Be Where You Are”, de Michael Jackson. Ela avisa, emocionada, que começou em Houston, Texas, com essa faixa. Depois parte para um série de trechos dos maiores sucessos de seu antigo grupo. Afinal, se ela chegou aonde está, tudo começou ao lado de mais três garotas – da formação original, apenas Kelly Rowland ficou até o fim definitivo do Destiny’s Child em 2005.
Os maiores destaques do show ficam com “Crazy In Love” e “Single Ladies”, as suas maiores e definitivas canções até o momento. Até a enfadonha “Run The World (Girls)” ganhou outros ares, ao vivo e com o toque de midas de Beyoncé no palco, a faixa funciona muito bem, obrigado.
“Irreplaceable”, que por si só emociona, aqui faz até os mais frios de coração gelarem a espinha. Beyoncé não a canta, entrega o microfone para a plateia ao mesmo tempo que rapidamente corta para o encontro com um fã cego no camarim. Beyoncé abriu mão de uma de suas maiores baladas e a entregou aos fãs, isso é digno de verdadeiros artistas.
O material termina com a marcante balada “I Was Here”. Pouco Beyoncé aparece, a edição mostra vários momentos de sua vida, de premiações a turnês passadas, de autógrafos a momentos íntimos – como experimentando o vestido de noiva. O DVD fecha como um aviso, que ela estará, sempre que possível, fazendo o que ama ao lado de quem a sustenta – amigos, banda, fãs e família.
Eu imagino, deve ser emocionante estar de frente enquanto ela se extasia no lugar que parece ser feito ao seu formato. Se em uma gravação repleta de edições, ela invade por completo, no cara a cara, ela deve dominar. Isso explica porque ela tem uma legião devota de fãs e admiradores. Ela é o tipo de artista que surge poucas vezes na indústria, com total comando do estúdio e do ao vivo, do áudio e do vídeo, dela e do público. “Live At Roseland” não é apenas um DVD, é um registro para a posteridade de um momento específico de uma artista que já virou ícone.





