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As musas em 2011: Adele

Publicado em Por André Pacheco

Adele
Foto: Divulgação

Ela chegou de mansinho, lá pelos idos de 2008 com o LP “19”. Fez um sucesso relativo, vendeu algumas boas cópias, mas nada que não saísse da Europa ou do Reino Unido – ou que pelo menos fizesse sucesso no Brasil.

Mas 2011 trouxe, enfim, um sucesso massivo. Desses que não víamos há anos. Adele, com o seu disco “21”, teve força suficiente para tomar os holofotes e os ouvidos planeta a fora. Comercialmente, o resultado foi positivo. Mais de 13 milhões de cópias vendidas, e os singles “Rolling In The Deep” e “Someone Like You” no topo dos principais charts mundiais.

“21”: o disco arrasa quarteirão

Se pudéssemos escolher uma única voz para ser a marca registrada de 2011, ela seria a de Adele. Não apenas por tocar exaustivamente nas rádios, e sim, por conseguir conversar diretamente com o público.

Ela não é o tipo de cantora que provoca, ela não faz a linha mulher fatal, tão pouco muda de visual a cada nova aparição pública. Adele consegue ser neutra, mas ao mesmo tempo com um olhar marcante e penetrante. Ela poderia ser a sua mãe, sua professora do jardim de infância, sua melhor amiga. Poderia ser uma mulher do seu cotidiano. Aí está a mágica de Adele, ser a artista, mas ao mesmo tempo, ser a pessoa.

As onze faixas de “21” conseguiram um feito notável. Transcender a barreira do idioma. Você não precisa saber nada de inglês, e mesmo assim, consegue sentir a música. Cada sílaba, cada respirar, cada nota de Adele invade, leva o cérebro à reflexão, mesmo sem perceber.

Ela canta frustrações, enquanto “Turning Tables” vai fazendo as lágrimas caírem. Ela canta medos, ao mesmo tempo que “Take It All” lhe faz pensar em como é vazia a solidão. Ela canta esperanças, na mesma proporção que “Lovesong” lembra quanto o amor é sine qua non. Ela canta, você absorve.

No contexto musical de Adele, o disco é uma obra-prima, minimalista, sem ser simplista; moderno, sem perder a atemporalidade; global, sem perder a ligação com a vida de cada ouvinte. “21” não pode ser medido em números, em charts, em vendas. Vai além. Chega à arte, à semiótica, a você, a mim, a sua mãe, ao seu pai. Ao mundo!