Adele é a dona de 2011
Publicado em Por André Pacheco
Billboard divulga o seu tradicional e esperado chart anual. Não deu outra, a britânica dominou o mercado.

Hoje a revista Billboard soltou as suas listas resumo do ano, e não trouxe nenhuma surpresa. Quem acompanhou os números da indústria fonográfica, já sabia. Adele tem o álbum, a música e, por fim, a imagem de 2011. “21” foi o álbum de maior destaque comercial nos Estados Unidos, e com um outro detalhe importantíssimo, Adele não é estadunidense. Há anos, alguém do Reino Unido não botava banca na América. Desde os Beatles, o sotaque britânico não inundava tanto os ouvidos das massas no lado de cima.
Os números de “21”, o segundo de Adele, surpreendem. Na primeira semana na Billboard 200, o disco vendeu 352 mil cópias, e até o momento acumula mais de 4 milhões só nos Estados Unidos, mundialmente, já passou das 10 milhões. Quer mais? Foram 39 semanas seguidos entre os cinco mais vendidos, superando em uma semana “Bad”, de Michael Jackson. “21” também acumulou inacreditáveis 13 semanas consecutivas no topo, é o maior número da história, passado apenas pela trilha de Titanic, lançada em 1997, com as suas não-consecutivas 16 semanas em primeiro lugar.
Os singles também fizeram bonito. “Rolling In The Deep”, o carro-chefe do LP, é a nona faixa de maior sucesso na era digital. Até 27 de novembro, a Nielsen SoundScan contava aproximadamente 6 milhões de downloads legais nos Estados Unidos. Por sua vez, “Someone Like You” foi a primeira balada a ascender ao topo da Hot 100 em três anos, a última faixa romântica que fez isso foi “Take a Bow”, de Rihanna – e de quebra, outro recorde: é a primeira vez na história da Billboard que uma faixa com a dupla voz e piano chegou ao primeiro lugar.
Além dos números, Adele paradoxalmente deixa a sua marca também pela simplicidade. Seja em sua música – uma coleção de melodias dor de cotovelo – seja em sua personalidade. Mesmo com uma voz descomunal, a cantora não adota o estilo diva (no sentido negativo da palavra). Além de não estar em constante mudança de visual e de som. “A ideia de mudar a si mesmo para agradar alguém, é ridícula para mim”, contou à Billboard.
Uma curiosidade, é que desde sempre, Adele nomeia os seus discos com a idade com que os gravou. Hoje, aos 23 anos, já está há dois anos sem material novo. Se quiser manter a mesma lógica, terá que correr para terminar o “23” antes de seu aniversário em maio. O que daria tempo. A cirurgia nas cordas vocais, feita há um mês, “não poderia ter sido melhor”. Em janeiro, já poderá voltar a cantar normalmente. Mas, infelizmente, ela descarta essa possibilidade. Novo disco, só daqui a dois ou três anos.
Mesmo com o enorme sucesso, a imagem de Adele continua resguardada. Ela evita falar com a imprensa e procura não estar envolvida em polêmicas e fofocas – talvez isso explique porque um público tão heterogêneo, que vai de ateus a cristãos, novos a velhos, indies a metaleiros, parem para escutar as suas músicas.
“Controle de qualidade é vital, se eu fizesse tudo que apareceu para fazer, minha arte e música ficariam diluídas”, disse. “Estaria superexposta se aparacesse em todas as revistas e programas, não quero mudar meu estilo, minha vida. Só apareço em programas que assisto ou em revistas que leio, não aceitaria me mudar por causa de alguns discos a mais vendidos”, explica. Pelo visto, se manter intocada, mas sem perder um quê de realismo, fez muito bem à carreira de Adele.





