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A trinca fonográfica

Publicado em Por André Pacheco

A Trinca Fonográfica

O desmembramento da EMI e a sua aquisição pela Universal Music Group e Sony Music Entertainment, colocou 80% do mercado mundial na mão de três grandes empresas

Com a venda da EMI para dois gigantes, o panorama da indústria fonográfica vai mudar. A Universal Music Group comprou por 1,2 bilhão de libras a gravadora, enquanto o consórcio liderado pela Sony Music Entertainment arrematou por 2,2 bilhões de libras a EMI Music Publishing, responsável pelo registro, arrecadação e distribuição de direitos autorais.

A EMI Music Publishing gerencia mais de 1,3 milhões de músicas de artistas consagrados como Rihanna, Beyoncé, Arcade Fire e Alan Jackson. Várias canções famosas estão em seu catálogo, como “Bohemian Rhapsody”, do Queen, e “Over The Rainbow”, do tradicional musical “O Mágico de Oz”.

Agora, Universal, Sony e Warner representam 84% do mercado mundial. Em 1998, seis grandes gravadoras dominavam: Warner, EMI, Sony - até 1991 se chamava CBS - BMG, Universal e Polygram. Os anos 90 foram o início de uma era dourada para a indústria após o sufoco e estagnação na década anterior. Em 1999, o setor faturou aproximadamente 52,5 bilhões de dólares mundialmente.

Mas em 2000, a coisa começou a esquentar. O download ilegal colocou em xeque o modelo de negócios e por meses o setor se arrastou com queda nos lucros, quebradeiras, fusões e toda a sorte de tentativas para evitar um naufrágio. Deu certo. O faturamento pulou de 60,7 bilhões em 2006 para estimados 67,6 bilhões este ano.

No panorama atual, a Universal e a Sony vão repartir a fatia do mercado que pertencia à EMI - o quanto fica para cada uma ainda não foi divulgado. Para a Warner, restam 14,8%, e as gravadoras menores abocanham os outros 16%. A EMI teve uma queda significativa em sua participação nos últimos anos. Até a venda, a empresa detinha 11,8% do mercado, ante 13,8% em 2005.

No primeiro trimestre deste ano, Universal, sony, Warner e EMI abocanhavam 84% do mercado global de música, que deve faturar 67,6 bilhões de dólares até dezembro

A EMI era controlada pelo banco norte-americano Citigroup Inc. desde fevereiro deste ano, quando foi tirada das mãos de Guy Hands e de seu grupo Terra Firma Capital Partners. Hands comprou a gravadora em 2007 com capital financiado pelo Citigroup. Na época, a dívida da EMI era próxima a dois bilhões de libras.

A Sony, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre como serão os negócios da nova aquisição. A empresa possui 38% da EMI Publishing - o resto da compra foi financiado por investidores. “Trabalharemos para encontrar uma maneira eficiente de gerir os ativos e aumentar a receita”, disse Rob Wiesenthal, vice-presidente executivo da Sony Corporation Of America. É provável que a empresa trabalhe com a EMI e a Sony/ATV paralelamente.

“Nosso histórico na Sony/ATV nos últimos quatro anos demostra a nossa capacidade de construir uma plataforma forte e sustentável”, disse Martin Bandier, CEO da Sony/ATV Music Publishing, à Billboard.Biz. Bandier, que também foi o manda-chuva da EMI Music Publishing por anos, afirma estar contente em se unir novamente com a empresa que ajudou a construir. “A oportunidade representada por esta transação é, ao mesmo tempo transformadora para a Sony/ATV e um momento verdadeiramente especial para mim”, finaliza.

A Sony/ATV é encabeçada pela Sony Corporation Of America e por outras empresas e famílias como o espólio de Michael Jackson.

Do outro lado, a Universal Music Group se mostra satisfeita e confiante com o seu pedaço do bolo. “É uma aquisição histórica para a UMG e um passo importante na preservação do legado da EMI”, disse Lucian Grainge, presidente e CEO da empresa em comunicado oficial divulgado na sexta-feira, 11. Pelo que parece, a Universal manterá o selo EMI. O fechamento da compra ainda continua sujeito a uma série de condições, incluindo aprovações das autoridades reguladoras dos Estados Unidos e Reino Unido.

A Universal Music Group estima que o faturamento anual dos trabalhos em sinergia com o catálogo da EMI será de 100 milhões de libras.

O que vem salvando o setor são os investimentos em novas formas de aquisição e licenciamento de catálogo. E claro, a diversificação de plataformas e meios de vendas, como lojas virtuais e rádios online.

As vendas de CDs vêm despencando sistematicamente. A queda desde 2000 passa de 50%, quando a RIAA (Recording Industry Association Of America) registrou o ápice em vendas com quase um bilhão de cópias comercializadas só nos Estados Unidos. Em 2009, os CDs físicos movimentaram mundialmente 5 bilhões de dólares, enquanto em 2001 passou de 15 bilhões.