“The Voice US” e a briga de egos entre seus mentores

Por Yhury Nukui comentários

The Voice
Foto: Reprodução

Quantos artistas eles fizeram? Quantos descobriram? É muito importante quando você tem pessoas na bancada de jurados que assinaram e fizeram artistas bem-sucedidos ao redor do mundo e não que apenas tenham feito hits durante a carreira.

Foi com essa citação que Simon Cowell, o grande responsável pelo bem-sucedido formato do “X Factor”, arrancou boas risadas e fez com que imaginássemos o quanto ele parecia menosprezar seu grande rival, o “The Voice”. Ledo engano!

Enquanto o “The Voice UK” segue competindo com o “Britain’s Got Talent”, a versão americana teve sua final exibida na noite de ontem, 08 de maio, sem nenhum grande reality batendo de frente no mesmo horário. Aos que ainda não querem ler spoilers, é melhor que parem de ler o texto por aqui.

Decepção. É a grande palavra que definiu a tal final. Com o top four formado por Juliet Simms, Tony Lucca, Chris Mann e Jermaine Paul, todos acreditavam que a vitória seria da primeira – que de longe, é quem possui mais star quality. Entretanto, o desempenho de Tony no iTunes, durante toda a terça-feira, fez com que as pessoas se perguntassem se ele seria o vencedor. E eis que “The Voice” te dá uma bela rasteira.


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Contrariando todas as opiniões de críticos, quem levou o prêmio de 100 mil dólares e um contrato com a Universal Republic foi Jermaine Paul, o menos cotado e comentado de toda a temporada. Assim como Michael Slezak do TVLine disse, “sua vitória foi a mais bizarra de toda a história dos programas de calouros”. Definitivamente foi.

Não que o moço não tenha talento, mas sua vitória só mostra o quanto o “The Voice” não está a procura de alguém que represente o programa com uma carreira bem-sucedida, como Leona Lewis, One Direction, JLS e Alexandra Burke do “X Factor” ou Kelly Clarkson, Carrie Underwood, Jordin Sparks e Adam Lambert do “American Idol”, e sim de alguém que seja igual ao que observamos todos os dias e será esquecido alguns meses depois.

Alguém aqui se lembra de Javier Colon? Pois é, o pupilo de Adam Levine venceu a primeira temporada do “The Voice”, levou o prêmio milionário, o contrato com a gravadora, lançou o disco, e amargou no flop. Sua vitória sob Dia causou o mesmo impacto com a de Jermaine sob Juliet. O programa na versão americana preocupa-se mais em fazer seus mentores brilharem a escolher participantes que realmente sejam bons.

Ninguém engoliu a desculpa esfarrapada do líder do Maroon 5 em beneficiar Tony Lucca a Katrina Parker. “Possuo uma conexão mais forte com ele”, disse Levine no discurso. Afinal, o “The Voice” está a procura de alguém que seja talentoso e com uma voz diferente ou é uma briga de egos entre seus mentores? Fico com a segunda opção. O favoritismo de Adam por Tony é mais do que claro, ele começou a render bons números no iTunes depois da apresentação de “…Baby One More Time” e, o escolhendo, Levine teria a chance de ganhar mais uma vez.


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Aguilera também nunca escondeu seu favoritismo por Chris Mann. Optando por não beneficiar Lindsey Pavao, que se destacou e rendeu bons números nos charts, e a América acabou escolhendo o cantor de ópera. Não adianta, o destino de Chris Mann é na Broadway, lá ele tem a chance de brilhar e não na briga de leões do mainstream. Na belíssima performance dele com Katrina e Lindsey, na noite de ontem, ficou mais do que claro o quanto elas mereciam estar na final como competidoras.

O que dizer da apresentação de “With a Little Help From My Friends”, dos Beatles, na voz de Juliet Simms, com Erin Willett, RaeLynn e Jamar Rogers? A presença de palco de Simms é impossível de não se notar. A verdadeira vencedora do programa estava ali, pena que não enxergaram.

Não menosprezo a vitória de Jermaine, que já trabalhou com Alicia Keys, Joss Stone, Mary J. Blige, Brandy e Kelly Price, mas ele poderia muito bem conseguir que alguma dessas cantoras o apadrinhasse e tentasse lançá-lo. O que não seria possível para Juliet, Lindsey, Katrina, Jamar, RaeLynn ou Lex Land – esta eliminada injustamente durante as batalhas – que não possuíam “contatos”.

Enquanto muitos preferem olhar apenas para Adam ou Christina, eu paro para aplaudir Cee Lo Green. Foi um excelente mentor durante toda a temporada, escolhendo boas músicas para seus pupilos. Ontem, por exemplo, Cee Lo usou uma camiseta com o nome de todos os seus grandes achados, um gesto que eu não esperava de outro. E mesmo com as várias burradas de Blake Shelton, não tiro todos seus méritos – sua maior virtude é o modo calado com que se porta. Alguém esperava que ele fosse vencer com Jermaine?


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O “The Voice” tem um modo inovador de escolher seus participantes. Mas, a maior conclusão que se pode tomar é que a produção do programa não está interessada em encontrar “a voz” e que ao mesmo tempo tenha um enorme apelo comercial. A segunda temporada foi infinitamente melhor que a primeira, porém, o principal erro não foi corrigido. Nada mais é que um reality show onde os mentores e suas brigas de ego ofuscam os competidores.

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