Em um altar clássico, um escritor sem inspiração reza para conseguir vencer a síndrome da página em branco, quando se defronta com uma bela freira. Esta, sem o menor pudor, lhe oferece sexo oral, a fim de ajudá-lo a relaxar diante do problema.
Acompanhada de um cliente chato, a garota vai até uma badalada festa para adultos. Lá, encontra um homem que já fez parte de algumas de suas fantasias. Era uma boa chance de aliar a noite de trabalho ao desejo.
A função é servir. Bandejas em mãos, um corpete bem ajustado, orelhas devidamente colocadas e o pompom imitando um rabinho completa a caracterização. A noite de Chicago é uma criança para as “coelhinhas”.
As cenas fazem parte, respectivamente, dos seriados “Californication”, “The Secret Diary Of A Call Girl” e “The Playboy Club”. As produções tem algo em comum, todas explicitam e abusam da relação entre séries e sexo.
Hank, o consquistador de “Californication”.Foto: ReproduçãoA sequência com direito ao cenário sagrado e freira safadinha, faz parte dos sonhos de Hank Mood, quarentão boa pinta e conquistador, que protagoniza a série “Californication”. Renovada para sua quinta temporada, ela é um misto de humor e drama com doses cavalares de sexo e diálogos onde predominam os palavrões.
Quem acha que se trata de mais uma série com um conquistador clichê e suas mulheres coitadinhas, errou, “Californication” está bem longe dessa descrição. O protagonista é o anti-herói que tenta entrar na linha para reconquistar sua ex-namorada e mãe de sua filha, mas acaba sempre sendo desviado pelas mulheres que cruzam seu caminho. A série rende cenas de nu explícito e outras coisinhas mais, o que prova que seus produtores não medem audácia ao retratar a vida desregrada do protagonista.
Hannah, a “Bruna Surfistinha” londrina. Foto: Divulgação“Californication” abre o texto, mas a cena da sequência vem da série inglesa “The Secret Diary Of A Call Girl”, que retrata sem pudores a rotina de uma prostituta de luxo em Londres. Hannah, a personagem principal, é a nossa “Bruna Surfistinha melhorada”. O que as duas tem em comum? O prazer e o amor pela profissão. A série é baseada em um blog de uma prostituta real, que acabou virando livro, outro ponto em comum. Afinal Surfistinha também teve blog, foi parar nas telas do cinema e ainda publicou um livro contando suas façanhas com a profissão mais antiga do mundo. Ou alguém aí não se lembra de “O Doce Veneno do Escorpião”?
Já o terceiro ato evoca as famosas coelhinhas da Playboy em “The Playboy Club”, que estreou no mês passado e conta a história dos clubes noturnos da década de 60 criados para entreter os homens abastados de Chicago. A série é narrada pelo próprio Hugh Hefner, idealizador e criador da marca.
Em cena, as famosas coelinhas da Playboy. Foto: ReproduçãoEsta série foi escolhida, não por conter cenas de forte cunho sexual, mas sim pelo clima dos clubes e da mansão onde viviam as “coelhinhas”. Pois são ambientes marcados pelo desejo e as insinuações entre os sócios e suas funcionárias.
Mas, para quem já começou a assistir e tinha criado boas expectativas em relação a “The Playboy Club”, sinto informar que ela acaba de ser cancelada. O possível motivo para a decisão tem sido apontado como consequência das polêmicas em torno da presença das “coelhinhas” na TV aberta. Além da audiência, que não alcançou os níveis esperados pelos produtores.
Independente disso, tem muita série do gênero “adulto” rolando por aí. Penso até que o tema renderia outros artigos, afinal o assunto sexo dá margem para muito papo. O tema combinado com o nosso passatempo favorito, que é o de acompanhar séries é, no mínimo, excitante, não acham?