Quando a vingança não é plena, mata a alma e envenena
Por André Pacheco comentários
A segunda temporada de “Revenge” nem bem estreou, e já está cheia de reviravoltas. Será que Emily Thorne conseguirá voltar ao plano original?

David Clarke deixou registrado em algum de seus diários um pedido para a sua filha, parecia que ele previa o que poderia vir. Ele queria que Amanda perdoasse os responsáveis por sua destruição. “Revenge”, sucesso no canal norte-americano ABC em 2011, estreou a segunda temporada dia 30 de setembro com ares de que uma possível profecia se cumpriria.
Se na primeira temporada tivemos uma Emily – nome adotado por Amanda Clarke para tocar o seu plano de vingança contra a poderosa família Grayson – decidida e calculista, mesmo com alguns escorregões, agora nos deparamos com uma mulher vulnerável, confusa a ponto de colocar tudo a perder por se ver no meio de uma reviravolta espetacular. Ela passou a vida toda acreditando ser órfã de mãe. Neste ponto, a busca não é só por fazer justiça pelo nome da família, mas também em descobrir por onde andou Kara Clarke.
Com quatro episódios já exibidos nas noites de domingo nos Estados Unidos, “Revenge” trouxe até o momento um ciclo se fechando e se abrindo em cada um deles. Ponto positivo pra série, que conseguiu a proeza sem deixar um ponto sem nó sequer. No debute, fingimos um susto com a não-morte da diva Victoria Grayson, mas o mais espetacular foi a forma como ela se livrou do pacto feito com o “Cabelos Grisalhos”. Depois disso, foi um joguinho milimetricamente calculado sendo feito atrás do outro.
Não há como negar que o centro de “Revenge” está em Victoria. É ela quem guarda os segredos sobre David e o passado da verdadeira Amanda, por exemplo. E nada me tira da cabeça que ela vai se juntar à Emily em algum momento. Ou você acredita mesmo que Victoria não sabe quem é Amanda e quem é a Senhorita Thorne? Se tem algo que a Senhora Grayson tem, esse é algo é sagacidade. Ela espera a hora certa pra jogar as cartas.
Se Emily quer concluir o seu plano de vingança, ela precisa aprender mais com a Rainha como fazer. E na minha opinião, ela vai acabar precisando também de se aliar à Victoria. A lição, pelo que parece, ficou dada pela metade. “Quer controlar a sua mãe? Jogue o jogo dela”, disse a loira para Daniel em algum episódio que me fugiu à memória. Porque, não podemos esquecer, que Victoria também sofre pelo que fez a David, e de certa forma, passou a buscar uma redenção. Vingança por vingança? Melhor com algum aliado tão forte quanto você, do que desacompanhado.
Emily se perdeu em sua missão, isso é fato, mas aconteceu porque a série evoluiu de uma forma tão própria, que não cabe mais mostrar fotos sendo riscadas após a conclusão de uma vingança individual. Emily está tomada pelo drama familiar, e não há como culpá-la por isso. Ela só precisa tirar esse peso das costas e aceitar que a mãe é uma peça-chave nessa trama toda.
Mas o foco em destruir os responsáveis pela bancarrota de seu pai deve voltar em breve, pois pelo final do último episódio exibido dia 21 de outubro, “Intuition” – quando se descobre o porquê de Kara ser internada e afastada da filha -, a alma da protagonista está, enfim, pronta pra sair do limbo. O veneno? Tomará quem merece, e não estou falando apenas da família Grayson, mas também da Iniciativa Americon. “Revenge” vai muito além de David Clarke, e os próximos episódios revelarão mais sobre os terroristas. Que Emily não se arrependa de não ter escutado o pedido de seu pai.





