O humor seco de “Os Aspones”
Por André Pacheco comentários

Antes, gostaria de pedir desculpas. Este post era pra ter entrado ontem, dia 07 de setembro, meio que encerrando a semana especial de conteúdo brazuca que a gente tá fazendo aqui no blog. Só que depois de ficar 15 horas seguidas dentro de um ônibus, eu não consegui nem com reza brava arranjar forças pra escrever. Mas isso não quer dizer que eu não posso deixar pra depois aquilo que eu posso fazer agora, né? Porque além de tudo nessa vida, eu sou um brasileiro de corpo e alma e meu sobrenome é “empurrar com a barriga”, que nem a galerinha do “Deixou Saudade” de hoje – que era pra ser ontem.
Em 2004, a Globo colocou no ar uma série que tinha tudo pra dar certo – e deu. “Os Aspones” veio com um humor ácido e sem-noção, vezes beirando ao grosso, mas de uma inteligência e ironia formidáveis. E justamente pelo requinte na maneira de arrancar risadas, que o projeto estrelado por Selton Mello, Andréa Beltrão, Pedro Paulo Rangel, Marisa Orth e Drica Moraes – só gente foda – foi engavetado em alguma repartição nos arquivos da emissora. A audiência média era de 20 pontos, um número bom para o horário duma sexta-feira, mas a gente sabe que coisa realmente boa só pode ser realmente boa se não durar muito.
“Os Aspones” foi assinada pela brilhante dupla Alexandre Machado e Fernanda Young, os mesmos que nos apresentaram o casal Rui e Vani de “Os Normais”. A série, que se passava em Brasília, girou em torno da “promoção” do funcionário Tales (Senton Mello) ao FMDO (Fichário Ministerial de Documentos Obrigatórios). A repartição fictícia, como o próprio nome diz, servia pra guardar todos os documentos obrigatórios que nós brasileiros somos obrigados a tirar. Num canto qualquer da capital, e sem muito trabalho pela frente, esses funcionários – por intermédio do novo chefe – resolveram criar o FMDO, sigla pra Falar Mal Dos Outros. Em cada episódio, uma pessoa era trollada de todas as formas possíveis, além de trazer as típicas situações vividas em escritórios sob uma ótica não muito comum.
Alguma boa alma subiu todos os sete episódios no YouTube – e pelo visto, a Globo não viu, porque eles estão lá desde 2009. Se você tem um senso de humor parecido com o meu, corre lá e assiste. Garanto que vai dar boas risadas com um humor que foge dos clichês e das caricaturas que inundam a nossa programação desde sempre.





