Estamos ansiosos pelos cupcakes em “2 Broke Girls”

Por André Pacheco comentários

2 Broke Girls
Foto: Divulgação

Uma das séries que mais me chamou a atenção na temporada passada foi “2 Broke Girls”. Com um enredo absolutamente genial, mas cheio de patadas, Max e Caroline se envolveram em muita confusão, num clima de muita confeitaria para tentar alavancar um empreendimento de cupcakes. Porém, o mais legal da série, no meu ver, está no encontro forçado de dois universos completamente diferentes. Me cativei pelas duas.

Max é uma morena com curvas e uma atitude de “não levar desaforo pra casa”, passou por enrrascadas nessa vida maldita e trabalha desde nova como garçonete para se sustentar. Já Caroline é uma loira mignon, toda antenada em “life style” e mimada desde nova; mas que virou garçonete após o pai ser preso depois de dar o cano em metade de Nova York. Nos 24 episódios da primeira temporada, Max e Caroline vão aprendendo a se conhecer e a se respeitar – e, o mais interessante, Caroline vai percebendo que mais importante do que berços e joias, ou status, o que define uma pessoa entre boa ou não companhia é o carater. É clichê? É, mas a maneira como isso se desenvolve é diferente.

Eu nunca vi uma série com tantos personagens estrangeiros, é quase uma ONU da tevê americana. O dono do restaurante é o simpático coreano Han Lee, que se enrola entre o autocontrole asiático e a certa libertinagem norte-americana. Há o cazaquistanês Oleg, um cozinheiro depravado, mas com um bom coração. E não podemos esquecer da sensual polonesa Sophie Kerchinsky (vivida por Jennifer Coolidge), que acabou roubando a cena. Não é estrangeiro, mas entra na cota multicultural: Earl, o negão bem-vivido que sempre dá as melhores tiradas – e conselhos.

Não há lição de moral de “2 Broke Girls”. Na verdade, a série pode ser acusada de tanta coisa, menos de politicamente correta. Há piadas racistas e etnofóbicas? Há, muitas. Mas não importa se é com um asiático, negro, caucasiano ou polonês. Ninguém fica livre de um certo bullying num Estados Unidos que ainda não se recuperou da crise de 2008 e precisa se autoavaliar como nação. Aí está a magia da série, em mostrar que há espaço para recomeços, sonhos e diversidade – mas sem perder o humor e um certo tom de autoflagelo.

Max e Caroline, e a patota toda, retornam no próximo dia 24, segunda-feira, na CBS. Será que o negócio de cupcakes enfim andará pra frente depois que Martha Stewart – quem entendeu a ironia nisso merece palmas – aprovou o trabalho das meninas?

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