A falta de tempero do “The Voice Brasil”
Por Yhury Nukui comentários

Já vou começar o texto dizendo que não esperava muito da estreia do “The Voice Brasil”, que aconteceu na tarde de domingo (23), depois do anúncio dos jurados em junho – e eu agradeço por não ter guardado muitas esperanças. Ou eu teria dado com os burros n’água!
Sem a pontualidade britânica e americana para os programas de tevê, a Rede Globo estreou o programa com cinco minutos de atraso e já foi logo apresentando os quatro técnicos: Claudia Leitte, Carlinhos Brown, Lulu Santos e Daniel. Como o formato ainda era desconhecido por boa parcela dos brasileiros, houve uma breve explicação de como o programa funcionaria até os live shows.
Mas, nas palavras do apresentador Tiago Leifert, antes de começarem os trabalhos como técnicos, o quarteto iria “mostrar como se faz” em uma apresentação bem mediana de “Assim Caminha A Humanidade”, de Lulu Santos. O cenário peca em diversos pontos: o palco é bem estruturado, mas pareceu ter sido feito às pressas.
Por ser um programa gravado, pelo menos neste início, eu esperava que a edição fosse muito melhor, mas é bem porca. Os cortes das cenas são muito rápidos, o que acaba deixando tudo muito “bruto” e sem uma finalização digna dos padrões da Rede Globo.
Problemas técnicos não faltaram! Em muitos momentos, a voz dos mentores estava baixa e a cadeira também apresentou problemas: o nome de Carlinhos piscava atrás do assento e o “Eu Quero”, que apenas se acende quando alguém se virava, aparecia ligado mesmo quando o mentor não escolhia o candidato.
Pra dizer que não dão a mínima para as redes sociais, o programa exibiu alguns tuítes, que por sinal foram bem mal escolhidos. Comentários do calibre de “Agora as mina chora” apareceram.

Claudia Leitte forçou muitas reações e parecia imitar vários trejeitos da musa da versão americana, Christina Aguilera. E ela já deixou aquela dose de vergonha alheia logo no início: “Eu achei que você fosse uma moça”, disse pra um garoto que, inclusive, virou-se de lado enquanto exclamava: “Eu sou homem, Claudinha”. Momentos desnecessários a parte, a moça mostrou entender de alguns termos técnicos, o que pode ser uma surpresa para seus pupilos.
Assim como Leitte, Daniel pecou apenas nas justificativas. Perdido, ele elogiou vários candidatos e não os escolheu, como no caso de Mayara, uma cantora sertaneja que, segundo ele, tinha um diferencial e acabou no time de Carlinhos. Senti que ele estava deslocado, com opiniões muito batidas e decoradas, faltou naturalidade. Mas, entre os quatro técnicos, é o que mais vendeu discos e seu talento não deve ser desmerecido.
Carlinhos Brown foi uma grata surpresa. Junto com Lulu, fez comentários construtivos e brigou. “Se você não tem o que falar, não fale”, disse Lulu a Carlinhos em um dado momento. São os únicos que parecem estar dentro do programa e dando tudo de si. Ainda assim, senti falta da “pimenta” e da competição entre os técnicos, que deixam tudo ainda mais divertido nos Estados Unidos. Nesse primeiro momento, o quarteto pareceu gentil demais uns com os outros!
Conhecido pela irreverência como jornalista esportivo, Tiago Leifert ainda parece alheio aos acontecimentos e sua interação com os familiares dos candidatos é fria. A atriz Daniele Suzuki é a nossa Christina Milian e mostra tudo que rola por trás das câmeras, mas pouco apareceu nesse primeiro episódio.

Ellen Oléria e Karol Cândido, do Time Carlinhos, Liah Soares e Alma Thomas, do Time Daniel, foram as que mais se destacaram e certamente vão longe na competição. O prêmio do reality show é de 500 mil reais, um contrato com a Universal Music Brasil e um carro.
Se o “The Voice Brasil” vai emplacar e fazer um grande astro? Ainda não se pode dizer. Por estar na primeira temporada, os erros desse primeiro episódio são aceitáveis, mas é bom que sejam solucionados o quanto antes!





