Christina Aguilera está magra e hipócrita na Marie Claire
Publicado em Por André Pacheco

Podemos dizer que Adele inaugurou uma nova fase para as grandes cantoras – sem nenhum trocadilho, por favor. Saiu de cena a necessidade de desfilar um corpo esbelto para ser considerada padrão de comportamento e beleza. Por algum motivo, Christina Aguilera – que foi de esquelética a mignon durante a carreira – debandou para o lado das plus sizes.
E ela vem pagando um preço caro por isso. Durante todo o 2011, não importava o quão ela se destacasse positivamente no “The Voice”, ou mostrasse um amadurecimento em sua técnica vocal. “Ela está gorda! Façam pururucas com ela!”, ordenava os incautos. O mesmo aconteceu com Britney Spears – o Luccas Belfort mandou muito bem no editorial “O pop colocado na balança”, publicado aqui no Vestiário em junho do ano passado. Claro que há um certo espaço para piadas e constatações, mas o limite chega quando diminuímos o talento de Aguilera e esquecemos tudo de bom que ela já produziu por causa de uns quilinhos a mais.
Em paralelo, é bonito afirmar estar feliz por não aceitar andar nesse rígido padrão da boa forma e todo o discurso que cabe muito bem para adolescente sem autoestima. Mas, como estamos falando de uma complexa rede mercadológica, essa ideia do “amo o meu corpo do jeito que é” é um bom golpe de marketing, que chega a beira da hipocrisia. E Christina Aguilera, para o bem ou para o mal, também anda desfilando o bordão “façam o que eu digo, não o que eu faço!”.

Esta semana, durante uma entrevista coletiva sobre o “The Voice”, ela disparou se “sentir muito confiante com o corpo”, e deu uma declaração mais ou menos parecida para a Marie Claire norte-americana de fevereiro, que chega às bancas na próxima terça-feira, dia 17. “Eu amo o meu corpo, meu namorado o ama”, disse.
Porém – como dá para notar nas fotos que estampam o post – todo esse excesso de gostosura foi escondido: casaquinhos, ângulos, Photoshop. Christina, na entrevista, está feliz mesmo acima do peso. Mas nas imagens, ela está magra – ou aparenta curvas que não correspondem com a realidade de suas ancas. Não que a culpa seja 100% sua, afinal, ela apenas deu entrevista e fotografou – direção de arte e edição final das fotos não é de sua responsabilidade. Mas, uma artista deste patamar, aprova ou não um editorial.
O mesmo acontece com Adele. Respeitada pela voz, os editores que exaltam a sua autoestima, fazem de tudo para emagrece-la. A Camila Caporar escreveu sobre isso, recomendo a leitura do artigo “Um pouquinho de hipocrisia: A moda diz amar a beleza plus size de Adele, mas só lhe dá capas de rosto”. Jennifer Hudson, que começou a carreira obesa e hoje desfila um corpo de dar inveja, disse há dois dias que chorou quando viu o tanto de tratamento dispensado para a foto da capa de seu disco debute.
Christina, Adele e Hudson são apenas três exemplos. Se sairmos à busca, vamos encontrar várias artistas que afirmam não estarem tristes por causa de um corpo fora da norma, mas quando é a imagem – seja em uma revista, num comercial, na capa de um disco ou dançando em um clipe – as curvas são outras.





