Quando uma banda tem data de validade
Publicado em Por Wesley Muniz

Como sabemos, são poucos os astros do pop – ou e até mesmo de outros estilos musicais – que alcançam grande destaque no mercado fonográfico sem se “casar” com alguma grande gravadora. Para evitar possíveis desavenças, muitas bandas optam por ser independente e contribuir com um cenário musical dito original. O que também lhes garante autonomia criativa, além de serem mais orgânicas, já que a maioria das bandas comerciais da atualidade ou se espelham em algo já visto antes ou mesmo naquilo que está sendo sucesso agora.
Pode- se dizer que as bandas são como Pokemons, os discos as pokebolas, e as grandes gravadoras são os “mestres pokemons”. O ganha-pão destes grupos vem principalmente de seus mestres, e qualquer música ou estilo é construído com a ajuda de toda uma equipe
Não vim aqui falar mal de nenhuma dessas bandas, até porque se eu não gosto, apenas não ouço e sou feliz com o som que eu curtir. Mas o que me chama atenção, não apenas em bandas como The Wanted ou The Saturdays, assim como Rouge e Br’Oz no Brasil, é a falta de “entrosamento” entre os componentes. Olhando para essas formações, podemos observar que os integrantes estão juntos, mas foram formados por um produtor, e o entrosamento só viria com o tempo – se é que vem algum dia.
A impressão que se tem é que estamos vendo vários cantores juntos, querendo mostrar o que cada um tem de melhor individualmente. Voltando não muito no passado e bem perto de nós, podemos lembrar do passageiro – e já citado – Br’oz, que fadigou após cada componente do grupo “perceber” que aquilo não era um grupo, mas sim vários artistas almejando um sonho de infância não compartilhado. Vamos relembrar alguns?
Com o Menudo o fim se deu por um problema ainda pior – a própria gravadora: Ela ia substituindo os garotos, e foram ao todo mais de 30 mudanças ao longo de sua existência, de 1977, até sua mais recente formação com o reality show “Making Menudo”, produzido pela MTv americana em 2008.
O problema nisso é que quando um dos garotos sai da formação, junto se evanesce uma legião de fãs, e no final, nem a banda, nem os fãs são os mesmos, apenas a gravadora. Que tende a acabar com o “projeto”, assim como qualquer produto depois do prazo de validade, ou um celular com componentes internos avessos à realidade do mercado.
No Brasil temos como maior exemplo, além do Bro’z, o Polegar e o Dominó, As duas maiores boybands brasileiras da década de 90 recheavam o programa “Viva a Noite” com muita gritaria feminina e estrelismo. Os garotos não aguentaram por muito tempo e cada macaco foi viver no seu galho, tentaram voltar ao mainstream nacional, mas o corretivo tinha sido tão forte, que muita gente nem sabe que eles ainda tentaram voltar.
Quem viveu a adolescência no mesmo período provavelmente vai cantar comigo neste momento o single de sucesso “Dá Pra mim” – hummmmmm – do Polegar:
Em contrapartida, os Backstreet Boys, considerada a maior boyband do mundo – além de possuir o recorde de banda comercial de maior sucesso pelo Guiness Book – influenciou outras como ‘N Sync, Westlife, O-Town, 5ivee uma penca com o seu final já declarado.
Mas o que difere os Backstreet Boys de seus amigos comerciais? A banda, que se formou em 1993, teve um hiato ocorrido em 2002 devido a problemas pessoais de alguns garotos, mas o seu retorno foi apenas dois anos depois, e estão juntos até hoje. Fazendo uma rápida pesquisa sobre as principais boybands, o resultado, em principal, é um: o fim se dá quando as gravadoras mandam em tudo. A banda não possui controle e os fãs também acabam seguindo a lógica comercial.
Mas os Backstreet Boys agiram diferente. Percebendo que estavam ficando apagados, devido a outros planos da maujor, eles tomaram as rédeas e decidiram em conjunto quebrar o contrato de mais de 75 milhões de dólares, e assim sobrevivendo, e continuando com seus shows ainda lotados. Atualmente, os discos do grupo não chegam a vender tanto quanto o álbum “Millennium”, que em 1999 superou a admirável marca de 40 milhões de cópias vendidas em todo mundo, mas eles ainda estão ai.
Relembre “I Want It That Way”, um doa maiores sucessos dos Backstreet Boys:
Seria esse o segredo do sucesso? Ser dono do próprio nariz? É melhor os garotos de The Wanted, jovens do “Ídolos” e outros programas com objetivo de criar uma estrela, ficarem atentos, pois criança esperta cuida do próprio umbigo mais cedo, e mãe esperta mantém o filho dentro de casa – sobre as suas regras.





