Quando uma avó precisa se colocar em seu lugar
Por Jader Gomes comentários

Mãe mente fechada, filho cabeça aberta, vemos demais por aí, não é mesmo? E vice-versa também. Mas o foco aqui, desta vez, está nas atitudes da mãe do galã Brad Pitt, que resolveu, depois de apoiar abertamente um pré-candidato não favorável ao casamento gay para a presidência dos Estados Unidos, irritar Angelina Jolie ao insistir em comprar roupas e brinquedos mais “femininos” para a neta Shiloh – como o QDNG noticiou.
Não é de hoje que Shiloh é conhecida – além do fato de ser filha de Brangelina – por seu gosto peculiar por roupas, brinquedos e até mesmo por cortes de cabelos masculinizados. E segundo consta, tudo isso por pura e espontânea vontade. Diferente de suas irmãs, Zahara e Vivienne.
E a questão é a seguinte, se Jane Pitt não é favorável ao casamento gay, ela tem todo direito de se expressar quanto ao fato, certo? Da mesma forma que tem o direito de apoiar o político que bem entender. Mas ser avó não lhe garante o poder de se intrometer na criação de seus netos a partir do momento em que seus pais são os responsáveis por isso. Aliás, por mais contraditório que pareça, nem mesmo os pais podem decidir sobre o livre arbítrio dos filhos, claro que levando em consideração a idade dos rebentos e magnitude das coisas.

Agora, me diga, se inocentemente uma menina de seis anos, isso mesmo, seis anos, escolhe vestir roupas que são socialmente ditas de vestuário apropriado, ou não usar um cabelo longo e cheio de penduricalhos, que mal há nisso? Se Angelina e Brad não enxergam problemas, bem como os sensatos também não enxergarão, acho que a senhora Pitt deveria se mancar e usar seu tempo para apoiar o tal candidato.
Talvez, a culpa disso esteja na arcaica divisão social por meio de gêneros pré-estabelicidos, que vai além da questão sexual em si. Que faz com que, muitas vezes, seja visto como estranho quem não se enquadra nos papeis já condicionados de como devem se comportar o homem e a mulher. E ainda mais, quanto mais opostas forem as características de um em relação ao outro, melhor.
De qualquer forma, Jane Pitt parece não suportar a assombração da homossexualidade rondando a família, tão preconceituosa que já parece ter resolvido que a pequena é lésbica, assim, só pela maneira como se veste. E também não estou dizendo o contrário, se ela for, será apenas mais uma – com um pouco mais de holofote em sua vida.
O que me espanta é o fato de que é muito fácil julgar alguém pelo que é, e mais ainda pelo que aparenta ser. E convenhamos, deixe que uma criança viva sua vida em paz, quando crescer já vai ter encheção de saco suficiente.





