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No reino não defraudado de Sarah Sheeva

Publicado em Por Jader Gomes

Sarah Sheeva
Foto: Divulgação

Há algum tempo, a ex-cantora pop – que fez sucesso com as irmãs no grupo SNZ, ainda no início da década passada – vem ganhando mais e mais espaço na mídia nacional. Na internet, Sarah Sheeva já é assunto constante. Agora, a tevê vem mostrar sua vida como pastora aspirante da Igreja Celular Internacional e suas opiniões sobre os mais polêmicos assuntos.

Não tem como se negar o poder de oratória de Sarah, muito menos que ela fala tudo com muita propriedade. Ou seja, não é estranho pensar no sucesso que ela faz na carreira como portadora da palavra de deus, nem nas centenas de mulheres que seguem seus ensinamentos no Culto das Princesas – onde pretende educar as “cachorretes” a serem dignas de encontrar o amor verdadeiro ao mudarem seus comportamentos.

Sarah brada aos quatro cantos que a mulher não deve procurar o homem, deve sim esperar que ele a encontre. E muito menos aceitar ser defraudada ou promover a defraudação – o que significa, no mais claro português, ser atiçado ou atiçar o fogo das pessoas, já que, se não for casada, não poderá consumar o ato. Dessa maneira, deve conter seus desejos mundados e limitar a forma com que se relaciona com as pessoas, mesmo se tiver namorado.

Se não for assim, qualquer avanço na questão sexual parece fadar um relacionamento somente à atração sexual. Afinal, quem vai querer conversar quando se pode transar a todo momento, não é mesmo? Será que depois do casamento, o diálogo entre princesas e príncipes – que esperaram pelo grande dia – continua como quando não havia sexo? Ou será que por obedecerem a bíblia, estão imunes de terem uma vida sexual como a dos pecadores?

Confira na íntegra a entrevista concedida ao programa “De Frente Com Gabi”, do SBT:


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Enquanto isso, Sarah espera pelo grande encontro de sua vida. Há mais de dez anos não faz sexo, nem beija na boca. Segue rigorosamente os padrões de uma mulher de deus, mas parece que nenhum homem reconheceu seu valor. Talvez Sarah Sheeva tenha alcançado tamanho nível de perfeição, que somente ele – o próprio deus – a mereça.

Então me pergunto quantas mulheres defraudadoras e/ou defraudadas casaram e são felizes? De outro lado, quantas princesas eram infelizes antes do casamento e continuam a ser depois? É bem provável que Sarah me responderia ser impossível que uma mulher “encontrada” corra o risco de errar, sendo que conseguiu tudo por intermédio divino. Já eu, tenho minhas dúvidas…

Além da receita para ser encontrada por um príncipe, outro ponto que merece destaque dentre as opiniões da pastora é o que diz respeito a homossexualidade. Questionada ontem, no programa “Muito+”, apresentado por Adriane Galisteu na Band, sobre como vê esta questão, ela foi enfática: “Se você pode fazer a ESCOLHA em ser homossexual, há também a escolha em não ser. As vontades existem para serem mudadas, eu mesma já mudei muitas das minhas.”


Sarah Sheeva completou dizendo que recebe muitos e-mails de gays que lhe pedem ajuda, querendo “sair dessa vida”. “O próprio nicho gay tem preconceito com quem não quer mais seguir esse caminho”, disse.

No entanto, o que Sarah não percebe, é que muitos gays têm vergonha de si mesmos pelo fato de existirem pessoas que pensam sobre esse assunto como ela. De existirem pais que os negam, de existir uma sociedade que os condena. Por pessoas, autoridades e igrejas tratarem a questão com abominação, muitas vezes sem nem conhecer o assunto a fundo. Assim, muita gente não consegue mesmo continuar “querendo ser gay”, quando ao ser o contrário é tudo tão mais fácil.

Desejo do fundo do meu coração que Sarah Sheeva seja feliz. Acredito até que ela já é, mas que finalmente a encontrem. Mas desejo também que todo mundo seja feliz a sua maneira, como princesa, cachorrete ou gay. Afinal, dar garantias de uma vida perfeita é fácil, provar que elas funcionam são outros quinhentos.