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Eu Pop

Esqueça Amy Winehouse

Publicado em Por Eduardo Morato

Amy Winehouse
Foto: Divulgação

Esse não é um texto profundo, reflexivo, nem tanto explicativo sobre a morte, ainda não esclarecida, de Amy Winehouse. Mas gostaria de expor o que eu penso particularmente sobre o assunto, na voz de um apreciador de tudo que ela produziu artisticamente.

Quando você soube da notícia de sua morte, há um mês, o que primeiro passou pela sua cabeça: “Ah, era apenas uma questão de tempo!” ou “Que perda!”?

Se você respondeu que “era apenas um questão de tempo”, você realmente não era um fã de verdade da “cantora”, você era um fã da pessoa “Amy Winehouse”, e com certeza não irá entender o resto desse texto, então aqui vai um conselho, pare por aqui mesmo.

Como um apaixonado por música, sei diferenciar a pessoa de sua arte. Eu também sei que é humano quando um artista se torna internacionalmente conhecido e as pessoas queiram saber sobre sua vida particular. Todo ídolo pop sempre é perseguido. No caso de Amy, quando a sua vida pessoal, emocional – e até seu estado de saúde – estavam totalmente frágeis, essa perseguição e curiosidade foram totalmente prejudiciais à cantora.

A grande repercussão de sua morte só foi a continuação de como o grande público a tratava: como uma fracassada na vida pessoal, de maneira pejorativa, acusativa e maldosa. Era quase um prazer vê-la causando mais algumas confusões. Isso se tornava entretenimento para o grande público e garantia mais lucro para os jornais e paparazzi.

Não sei como seria se o seu segundo álbum, “Back To Black”, não tivesse estourado, deixando-a desconhecida no mundo todo. Será que se as coisas tivessem acontecido de maneira diferente, se ela tivesse continuado por outro caminho, de uma artista menos conhecida, para um público menor e mais compreensivo, sua carreira teria durado mais? Se sua vida pessoal tivesse sido menos divulgada e comentada pelo mundo inteiro, sua batalha contra seus vícios teria sido mais fácil? Eu realmente acho que sim. Amy não era comercial, não planejou nada, porém foi levada. Aconteceu.


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É dispensável citar a grandeza dessa artista que deixa poucos órfãos, muitas beatas choradeiras e muitos dedos apontados pelo mundo a fora. A maneira como ela encantava mostrando seus próprios sentimentos de maneira tão verdadeira e crua é inexplicável. Era um absurdo vê-la sendo devorada pela mídia e pela massa.

Ela tão frágil e tímida, e, ao mesmo tempo, tão corajosa. É um absurdo ver que hoje ainda há pessoas que dizem que ela era fraca. Amy era doente. Sofria de uma doença que vejo ter sido causada por ser tão sentimental. Quem nunca?

Eu, como fã, sempre estive mal em saber, ainda que por alto, de suas notícias degradantes, achando-as desnecessárias. Ficava feliz a cada novidade e acreditava em sua reabilitação.

Seu legado vai além de sua música. Mas será que sua arte, que bebeu da fonte das divas dos anos 50, será lembrada daqui a algumas décadas? Ou o que será lembrado será sua vida pessoal? Creio que cada fã de verdade sentiu essa perda de maneira diferente. Só escrevendo esse texto percebi a falta que ela irá fazer e que já esta fazendo.

Amy, mesmo não produzindo, nos dava esperança. É estranho saber que ela se foi. Sua presença era quase imortal no meu imaginário. Recebi sua morte de maneira inocente. O que fica no final é uma grande raiva das pessoas. Eu queria a Amy só pra mim e uma meia-dúzia de pessoas.

Pra quem respondeu no começo do texto “era apenas um questão de tempo” eu lhes pergunto: não era isso o que vocês queriam tanto ver? Não era isso o que vocês esperavam dela? Agora esqueçam Amy Winehouse.