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Como é difícil ser evangélico

Publicado em 04/08/2009 - Por: André Pacheco

Por mais que não compartilhe do que eles são, achei importante tentar sentir e entender o sofrimento causado pelo enorme preconceito a que esse grupo está à mercê.

Pois bem, vamos as minhas divagações…

Primeiro, o processo de se descobrir evangélico deve trazer muita confusão psicológica. Quando criança, principalmente, saber que é diferente do resto dos colegas de sala, não gostar da Virgem Maria e ter que escutar piadas o tempo todo, além das outras crianças gritando “crente da bunda quente, crente da bunda quente…”.

Mas o pior deve ser quando ele chega em casa e conta aos pais que foi chamado de evangélico ou crente pelos coleguinhas, ou chora porque percebeu que a professora mesmo repreendendo os outros deu um leve sorriso de deboche. Criança percebe o mundo que pode ou não fazer parte.

Feito cego em tiroteio, essa criança escuta dos pais para ele não ligar. Os colegas são invejosos e o filho não seria evangélico mesmo. Porém, no fundo os pais sabem da condição da criança, mas têm medo de deixar que seu pequeno crente saiba de sua condição totalmente natural à espécie. Muitos pais de evangélicos prefeririam ter filhos traficantes, bandidos ou drogados. E a maioria fala isso para o filho.

E é nesse contexto que ele vai crescendo e tentando manter sua sanidade. Rodeado por pessoas dizendo que não pode ser assim, que é errado, anti-natural. Ele fica constrangido, pois na televisão os evangélicos sempre são retratados de forma afetada. Ele fica com medo, pois pessoas esperam evangélicos nas portas dos cultos para espancá-los. Ele fica frustrado, pois o Estado só reconhece os casamentos de católicos. Ele fica envergonhado, pois só pode rezar em cantos escuros ou lugares específicos.

Ele tenta mudar, um dia passa isso pela cabeça dele. Pois ele cansou de chorar pra si e lutar contra uma sociedade que não o quer. Ele procura um psicólogo, que garante 100% de cura ou seu dinheiro de volta. Vários deixaram de ser evangélicos, pensa. Pobre crente, ele só não acreditará mais em Deus, mas mesmo assim dentro de seu coração haverá algo falando, sussurrando…

Mas vários continuam lutando. Não necessariamente para transformarem todos em evangélicos, e sim para que possam dormir tranquilos à noite após suas orações.

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André Pacheco
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Jornalista por formação e webdesigner com mais de meia década de experiência. Ama Pop, mas também não consegue ficar sem Samba.

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