Britney e o preço da fama, críticas e questionamentos infinitos sobre o seu talento

Por Yhury Nukui comentários

Britney Spears
Foto: Reprodução/X-Britney

Na tarde de ontem, 14 de maio, a Fox e Simon Cowell finalmente anunciaram Britney Spears como a substituta de Paula Abdul na segunda temporada da versão americana do “The X Factor”, fenômeno televisivo oriundo do Reino Unido – não tão bem-sucedido assim na América do Norte no ano passado.

A participação da musa já era dada como certa por inúmeros sites renomados há algum tempo, faltava somente a aparição oficial. E ela foi feita! Britney rapidamente estava por toda a internet. Menos de duas horas depois de divulgar uma foto pelo Twitter com os outros três jurados, Demi Lovato, Simon Cowell e L.A. Reid, a Princesa do Pop abocanhou oito mil trezentos e vinte cinco retweets.

Quer mais? A mesma foto, só que postada no Facebook oficial da cantora, atraiu onze mil curtidas, seiscentos e cinquenta compartilhamentos e oitocentos e vinte um comentários em apenas uma hora. A repercussão foi imensa e as críticas, idem.

“Rainha do playback, Britney Spears, será jurada em show de talentos”, comentários tão ruins como este aparecem na internet em uma velocidade exorbitante desde ontem. Essa não é a primeira, nem a última vez que Spears tem seu talento subestimado. Ela enfrenta este karma desde 1998, quando lançou o primeiro single e hit “…Baby One More Time”, uma das canções mais memoráveis da história.


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Como fã, confesso que inicialmente me preocupei com os rumores de que estaria no “The X Factor USA”, pois sabia que centenas de comentários maldosos viriam. Mas, ao me deparar com declarações de pessoas próximas a cantora, de que este era um grande projeto que ela queria muito estar, apoiei, e sabia que sua equipe não iria colocá-la em algo se não estivesse preparada psicologicamente – já que este é um ponto importantíssimo desde o colapso de 2007.

Ah, o colapso. Aquele que todos que a criticam gostam tanto de lembrar. Vale ressaltar que foi durante esses piores momentos no âmbito pessoal que ela lançou o disco “Blackout” e sem nenhuma divulgação – ou vocês realmente contam a performance de “Gimme More” no MTV Video Music Awards? – debutou em segundo lugar com duzentos e noventa mil cópias vendidas na primeira semana. Pela primeira vez, Britney expôs realmente o que queria falar.

Foi durante este surto que a crítica a aclamou. O consagrado jornal britânico Times considerou o disco o quinto melhor da década. Costumo brincar que existe o pop “pré e pós-Blackout” e no fundo isso não deixa de ser verdade. Foram inúmeros os cantores que tiveram o disco como influência. O álbum da mesma Britney subestimada e que nunca mais se recuperaria.

A cada dia um novo drama / Acho que não vejo problema / Em trabalhar e ser mãe / Mesmo com uma criança no colo / Continuo ganhando quantias excepcionais / Você quer um pedaço de mim?

Com os versos acima, cantarolados em “Piece Of Me”, Britney fez um retorno triunfal no ano seguinte, no mesmo “MTV Video Music Awards” que a recebeu em uma apresentação não tão boa quanto as anteriores que havia feito. O vídeo da canção rendeu os prêmios de Vídeo do Ano, Melhor Vídeo Feminino e Melhor Vídeo Pop.

Mais uma vez Britney surpreendeu com o lançamento de “Circus” e ao sair com a turnê “The Circus Starring Britney Spears”, algo que ela não fazia em grande estilo desde 2004, com a consagrada “The Onyx Hotel Tour”. Mas, como nada é suficiente para os haters, mais uma vez ela foi atacada por não dançar como antigamente. Entretanto, isso não a abalou, ela foi com a turnê até o fim, sem maiores problemas.

Com o “Femme Fatale”, mais uma vez ela foi subestimada e trouxe um material com inovação em sua sonoridade. Não é que aquela que só faz playback sabe realmente o que faz? Com o disco, a musa saiu novamente em turnê e trouxe, a contragosto dos que a odeiam, a coreografia original do hit “I’m Slave 4 U”.


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A moça que não dançava como antes estava ali! É claro, ela não será exatamente como foi no passado, até porque muita coisa já passou. Ela já teve dois filhos e sofreu físico e psicologicamente com o colapso, o que não impediu que ela perdesse sua importância e recebesse um prêmio no MTV Video Music Awards no ano passado por sua contribuição à indústria fonográfica.

E mais uma vez, Britney Spears incomodou ao ser a escolhida de Simon Cowell para o “The X Factor USA”. Foram quinze milhões de dólares que poderiam ter mantido Paula Abdul por quinze temporadas, quase onze mil álbuns “Circus” que poderiam ser comprados, pagar o prêmio de três vencedores do “The X Factor” ou produzir quinze vídeos de altíssima qualidade como “Toxic”. Pois é, e mesmo assim Simon optou por investir o dinheiro nela.

O sucesso de Britney incomoda muito. Muitos sites noticiam que a cantora quer salvar sua carreira através do “The X Factor”, assim como JLo no “American Idol” e Christina Aguilera com o “The Voice”. Mas, espera! Salvar do que mesmo? Sua carreira nunca esteve tão boa como agora. O talento de Britney Spears é inegável, se ela aceitou o convite para ocupar o posto de jurada em um programa de calouros é porque tem conhecimento suficiente para isso e sabe muito bem o que está fazendo.

Chega de julgamentos do que já passou. O colapso se foi. Tempos nublados que foram substituídos pela glória. Se Britney aparece “automática” em entrevistas, é por pura culpa das pessoas que a julgam e esperam por mais um deslize para falarem disso por meses.

Entretanto, o “The X Factor” chega em um excelente momento da carreira da musa. Chegou a hora de soltá-la e fazer com que ela se aproxime mais de seus fãs e deixe de ser mais controlada por sua equipe. Nos programas ao vivo não há edição, a verdadeira Britney Spears estará ali, sob os olhares do mundo e sem texto pré-moldado.

Uma boa sorte nesta nova empreitada. Que seja subestimada e mais uma vez, dê um belo tapa na cara de todos que duvidem de sua capacidade profissional.

Eu percebi que é melhor não ter sentimentos e nunca sentir nada. Porque quando você está feliz, todos querem tirar isso de você, então aprendi a ter esperança, do que sentir outras coisas. Não existe nenhuma empolgação, nenhuma paixão. Eu tenho dias muito bons, depois tenho dias horríveis – Britney Spears, For The Record.

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