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Adele: quando menos é mais

Publicado em Por Camila Caporar

Adele
Foto: Divulgação

Coco Chanel, ícone mundial de elegância e reconhecida até pelas massas, costumava dizer: “na dúvida, uma mulher deve se olhar no espelho ao acabar de se arrumar e retirar um item, para evitar exagero e alcançar um visual de classe”.

Entre os ícones pop de hoje, esse conselho é piada. Para melhor ou para pior, o conselho que Lady Gaga, a fashionista mais aclamada pelos fashionistas, te daria é: “na dúvida, vá pondo mais até que ninguém possa estar mais extravagante que você”. Ótimo, regras de moda são uma bobagem. Tendências a seguir, na moda, na música, tudo bobagem. A regra é: seja diferente.

Nessa tentativa, vários artistas se desdobram para se destacar na multidão de diferenças parecidas, tanto no visual quanto na música. Muito esforço, tentativa (TENTATIVA) de inovação, muitas batidas, electro pop, milhares de produtores, videoclipes que mais se parecem com curta-metragens.

Não tá fácil pra ninguém não ficar chato com tantas opções cheias de atrativos. Precisa ter uma alma musical muito boa, além de única. E alguém preenche esses predicados.


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Assim é Adele/banda]. Uma linda foto em preto e branco se destacando entre incríveis, surreais e coloridíssimas imagens. Não querendo tirar o crédito da loucura pop, da reinvenção que veio com Gaga, dos extremos. Mas a simplicidade de Adele é um pouco reconfortante.

Suas músicas falam daquilo que todas as outras músicas falam, de sentimentos que todos já sentimos. Não tem nada de muito novo aí: uma voz poderosa, umas letras boas, lindos arranjos orgânicos e pronto, mas esse é um dos discos mais falados do momento.


“21”, o segundo álbum da cantora britânica, está realizando feitos que ninguém, muito menos a despreocupada cantora, esperavam. Bateu as vendas do novo de Britney Spears, superou recordes de venda dos Beatles e Madonna e, daí pra frente, o que mais poderia surpreender?

Com a romântica “Someone Like You”, que só depende da voz de Adele e do piano, esse segundo single do álbum já ultrapassou “Born This Way”, de Lady Gaga. Até a própria Britney Spears revelou estar apaixonada por “21″, dando boas-vindas à Adele no topo do pop.

Sim, o som de Adele não é predominantemente pop – dizem que é soul, mas quem liga? Mas pop não é a música popular do momento? Adele é, então, um presente pop. Longe dos estereótipos de cantora sexy simbols, ela é uma plus size cheia de classe que transmite autoconfiança e encanta com sua beleza despretensiosa.

Toda a sua beleza, aliás. A de sua música, de seu jeito e de sua vivacidade nos palcos. Sem super produções, não dá para tirar os olhos dela nas apresentações e vídeos. Ela faz o que só os melhores intérpretes fazem, divide a emoção que ela sente naquela música e faz com que você se sinta parte dela.

Ver as pessoas se encantando por Adele é tão surpreendente quanto justo, e é também um bom descanso do exagero que vem caindo constantemente sobre nós. Seu trabalho debute, “19” – ambos levam no nome a idade que ela tinha durante as gravações – já era coisa boa, mas podia passar despercebido por alguns desavisados. Com “21” não dá, é parte da nova cultura pop, você precisa escutar.

Mas talvez eu esteja errando em fazer tanta propaganda. Acho que o grande destaque deste disco veio por ele nos pegar desprevenidos. Enquanto víamos teasers e promessas dos aclamados artistas, ela foi lá e fez, cumpriu o que nem prometeu.

Musica boa, simples e pura. Sem temática, sem visual novo, sem bandeira, sem polêmica. Não que todo o resto não seja agradável também, mas um pouco de minimalismo não faz mal a ninguém.