A voz de Mariah Carey. Sem mais!

Por André Pacheco comentários

Mariah Carey
Foto: Reprodução

Sei que o assunto pode parecer batido e sem graça, mas minha consciência não me permite deixar este texto às traças. Há muito já vinha martelando na cabeça algo sobre o conceito de diva – já que de um tempo para cá, até cantora de axé que vira de cabeça pra baixo no Rock In Rio está sendo tratada como tal. Poucas são as cantoras da atualidade que merecem esse status, se bobear, não preenchemos as duas mãos.

Diva é uma palavra de origem italiana que significa “deusa, divindade”. Na música designamos cantoras de vozes notáveis e excepcionais. Eu considero diva um arquétipo, algo que já está no inconsciente coletivo. Basta dar uma olhada rápida na história e ver que mulheres dotadas de vozes poderosas e envolventes permeiam culturas há gerações, como as sereias na “Odisseia” de Homero.

Divas são cantoras inatingíveis e inalcançáveis, tanto no talento como na atitude. É um misto perfeito de voz, postura e comportamento. Não se cria uma diva, se nasce uma.

Qualquer um que me conhece minimamente, sabe que sou um fã de carteirinha da Mariah Carey. Na verdade, o Vestiário surgiu como uma seção dum site que eu tinha dedicado a ela. Além de, sempre que posso, dar um jeito de encaixá-la como pauta. Duvida? Clique aqui.

Podem falar qualquer coisa sobre a Mariah, que ela é gorda, boba e feia. Podem esbravejar que não canta mais como no início da carreira. Podem falar que ela é desnaturada, ultrapassada, sem talento, rainha do playback. Não ligo. Ela não liga. O Ulisses não liga.

A voz de Mariah Carey é, sem sombra de dúvidas, algo inexplicavelmente poderoso. E mais impressionante é saber que mesmo com calos vocais, ela continua tendo total domínio de sua técnica e de seu maior patrimônio. Ela é uma diva, e talvez uma das poucas que surgiram no final do século passado. Mais uma vez, duvida? Aperte o play e acompanhe:


Este vídeo está no YouTube e pode ser removido e/ou impedido de ser exibido a qualquer momento

No vídeo acima, que dura pouco mais de um minuto, dá para acompanhar a extensão DA VOZ. Sei pouco sobre técnica vocal e nomeclaturas, mas sei que ter cinco oitavas não é pouco. Na verdade, é raro! Dia 27, o vídeo foi postado no YouTube, ontem não resisti e publiquei no Twitter aqui do site. E hoje, para o meu espanto, o Popdust fez um artigo rápido sobre ele. O que me impressionou é poder “ver” a voz da Mariah Carey e acompanhar os trechos de várias músicas – estúdio e ao vivo.

Como há muito sigo a sua carreira, mais de uma década, não foi grande novidade. Mas para muita gente, principalmente para os que gostam de tirar uma onda com os “agudinhos” – que na verdade se chamam whistle register – funciona como uma sambada na cara. É difícil admitir que Mariah Carey tem a voz e é uma das poucas divas que o pop conheceu, ainda mais com a quantidade de garotas despejadas dia após dia que acham que gritar é o suficiente para ser considerada uma grande cantora e conquistar o mundo.


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Para terminar com “charminho” de ouro, uma apresentação de “Emotions”, em 1991, no Video Music Awards.

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