A bruxa má e a sementinha podre de Guetta

Por Ravel Brasileiro comentários

David Guetta
Foto: Divulgacão

Houve uma época, não tão distante assim, em que a música pop poderia ser uma baladinha divertida e pretensiosa, pronta pra incendiar quem estivesse nas pistas de dança. Um mundo onde trocávamos novas músicas, ficávamos esperando ansiosos os clipes na TV ou cruzando os dedos para que a nossa conexão não caísse e o download do nosso álbum fosse finalizado.

Tudo parecia ir bem, até que um dia uma bruxa muito má, enlouquecida com a felicidade da população gay mundial, resolveu fazer algo que mudaria o pop para sempre. Em um ato maligno, colocou uma sementinha na barriga de uma linda moça sueca e… nove meses depois nasceu David Guetta.

Não tem como conceber que hoje nós realmente gostamos dessa fase atual do pop, ou que achamos que esse barulho todo é o futuro do pop. Se a sensação for essa, não há dúvidas, realmente caímos nos planos malignos da bruxa má, o David Guetta nos possuirá e o mundo virará uma grande rave. Um mundo de featuring disputado por um horda furiosas de DJs, que transformarão tudo o que conhecemos como música num eterno bate cabelo.

Do ano passado para cá, se fizermos uma playlist com os álbuns de pops lançados, vamos reparar o que todo mundo já reparou – mas finge que não viu. A música pop tá igual, tá preguiçosa, tá careta e tá quadrada. Olha que não precisamos ir muito longe para ver isso, se pegarmos quatro ou cinco grandes nomes do pop atual já vemos que a coisa realmente não anda nada fácil.

Vamos tomar como exemplo Madonna, que é sem dúvida o maior nome da música pop – te agrade ou não. Ela lançou um disco após quatro anos só pra nos mostrar de novo o quanto ela ainda vende, faz barulho e é uma artista gigante. “MDNA” já veio acompanhado de uma turnê mundial, que provavelmente vai ser a mais rentável do ano. Mas no fim das contas, o material cumpre?

Sinceramente? Não, e sequer deixa a gente animado para a mais nova fase da Rainha do Pop. Madonna veio com um disco igual ao o que já estava tocando, e pior, na hora em que as pessoas já estavam enjoando. No combo da “nova” fase, veio um clipe onde ela fica sentadinha de preto num carro, fazendo a mulher gostosa, famosa é no mínimo desanimador para qualquer fã. Ok, Madonna, já vimos isso, mas e agora? O que você tem de novo pra mostrar mesmo? O que o pop tem de novo pra nos mostrar mesmo?

E a lista continua com incontáveis discos ruins, como “Bionic” da Christina. A Britney daqui uns dias ataca de DJ. A Katy Perry relança o mesmo CD dez vezes. A Rihanna apanha, fuma maconha, corta o cabelo e lança um álbum de seis em seis meses. A Lady Gaga ninguém nem mais lembra quem é. A Mariah canta a mesma coisa há tanto tempo, que e as pessoas estão mais preocupadas se ela emagreceu do que com a música. E por aí vai.

Então, sabendo de tudo isso, qual a nossa postura? Defendemos! Não se pode falar nada da música pop, que vem uma legião de loucas enfurecidas para cima da gente. “Aquele CD é só pra vender, pois ela canta demais e não precisa de provar nada pra ninguém”, diz um fã ou outro perdido em um debate no Facebook. Como se isso fosse argumento. Não adianta cantar bem e fazer música ruim. Assim, enquanto as defendemos, o David Guetta continua pensando em um novo featuring e a bruxa má assiste tudo dando sua risada maligna, e isso só vai mudar quando geral parar de ser bicha chata e admitir: a música pop anda uma bosta!

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