Posts de Murilo Araújo

Colunista

Jornalista e professor. Homem feminista, católico homossexual, fã de Beyonce e Bethânia. Sem enxergar nenhuma ambiguidade em nada disso.

Murilo Araújo

O suicídio do extremista, a vida longa do extremismo

Por Murilo Araújo comentários

Catedral de Notre Dame
Catedral de Notre Dame, em Paris. Foto: Reprodução

E quando você acha que um extremista não podia ir mais longe do que tudo que a galera conservadora já aprontou, o que ele faz? Exatamente, entra numa igreja e dá um tiro na própria cabeça em sinal de ~protesto~. Foi o que fez Dominique Venner, historiador e ensaísta que cometeu suicídio na tarde de hoje, em frente ao altar da catedral de Notre Dame, em Paris.

Os reais motivos do ato, registrados na carta que Venner deixou na igreja antes do tiro, ainda não foram revelados pela polícia francesa, mas o que se sabe é que, em um post publicado em seu blog horas antes do ato, o suicida manifestava-se contrário a lei sancionada dias atrás no país, permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No texto, Venner afirma que “são necessários gestos novos, espetaculares e simbólicos para tirar as pessoas da sonolência, balançar as consciências anestesiadas e acordar a memória das origens”.

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Deixe quem quiser gostar, de meninos e meninas

Por Murilo Araújo comentários


Foto: Reprodução

Prestes a estrear sua nova novela, “Amor à Vida”, que por sinal terá uma razoável quantidade de personagens gays, o dramaturgo Walcyr Carrasco assumiu há alguns dias a sua bissexualidade, em entrevista a revista Playboy. Assim que fiquei sabendo da noticia, corri para alguns sites para conferir a informação, e, como era de se esperar, esbarrei com algumas daquelas pérolas que a gente sempre encontra na seção de comentários.

Grande parte do escândalo era por uma razão simples: o novelista, não satisfeito em dizer “sou bissexual”, tratou de soltar que acha que todo mundo é também. Aí, já viu. Não demorou muito, começaram a pipocar os héteros supostamente bem resolvidos com a sua sexualidade, dispostos a reforçar veementemente a sua orientação, muitos deles interessados em defender aquilo a que chamam de “moral e bons costumes”.

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O retrato arrependido de Lea T… e um beijo pra quem é trans!

Por Murilo Araújo comentários

Lea T
Foto: Reprodução

Certa ocasião, durante uma mesa de debates sobre transexualidade que eu assistia, ao final das palestras, um amigo meu foi todo feliz e curioso perguntar aos membros da mesa como havia sido para eles e elas a experiência de descobrir que “aquele corpo não era seu”. Na hora, soltei um risinho de leve, lembrando os amigos héteros que, sempre que me “descobrem”, repetem a mesma série de questões sobre o meu processo de saída do armário – sem nunca ter lhes passado pela cabeça a curiosidade de pensar o modo como eles se “descobriram” héteros, já que o negócio funciona assim…

Imaginei que um dos palestrantes fosse imediatamente rebater a pergunta dele com outra pergunta: e você, quando foi que se descobriu cisgênero (que, para quem não sabe, é o contrário de transgênero)? Mas a resposta de uma travesti foi bem mais interessante. Ela disse, com uma firmeza de brilhar os olhos, que o processo dela envolvia o sentimento exatamente contrário: “você me perguntou como foi que eu descobri que esse corpo não era meu, mas eu só me entendi travesti no dia em que percebi que ele é meu sim, tão meu que eu tenho o direito de fazer com ele o que eu quiser”.

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Perdoe o asno, mas prefiro as cabras

Por Murilo Araújo comentários

O que é que a gente quer dizendo que a violência homofóbica mata muito? Morrem muito mais heterossexuais todos os dias!
Cabra
Te seduzindo, apenas. Foto: NightLord

Todo mundo viu explodir nas redes sociais, desde o último fim de semana, milhões de manifestações revoltadas – com razão – a respeito do artigo “Parada Gay, cabra e espinafre”, de José Roberto Guzzo, na última edição da Veja. O colunista, que, vale dizer, faz parte do conselho editorial da revista, conseguiu assustar até aos velhos conhecedores do teor conservador e desonesto do suposto jornalismo que se faz naquelas redações.

Guzzo simplesmente conseguiu articular em três páginas de texto todas as formas de “justificação” da homofobia, dispersas no discurso preconceituoso que está espalhado por aí. Pra começar, diz ele, nós, gays, exigimos que todo mundo goste de nós. O que é um problema, evidentemente. Afinal, se uma pessoa não gostar de espinafre, por exemplo, é lógico que o espinafre vai ter maturidade pra entender. Se uma pessoa negar direitos fundamentais ao espinafre, ele certamente vai levar numa boa. Só os gays que criam problema.

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As cores democráticas do negro democrata

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O que mais interessa na eleição de Obama é que temos um discurso avançado e maduro com relação aos direitos dos gays, negros, mulheres e imigrantes.
Barack Obama
Foto: Divulgação

Há quem diga que os Estados Unidos não são nem de longe o maior exemplo de democracia no mundo. E eu não discordo. Sabemos bem do jeito com que os nossos irmãos do norte levam as coisas, especialmente quando se trata de seu relacionamento com o resto do mundo. De todo modo, fiquei feliz pelos americanos. E acho que, no dia de ontem, eles tiveram razões suficientes para se considerarem pelo menos um pouquinho mais democráticos.

Nesse dia que está aí para ser lembrado, os estados de Maine e Maryland legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em Minnesota, a população se pôs contra uma emenda constitucional que definia casamento apenas como a união entre homem e mulher. Foi a primeira vez nos Estados Unidos em que o casamento igualitário foi legalizado por voto popular. Também, pela primeira vez, uma candidata assumidamente lésbica foi eleita senadora no país: Tammy Baldwin.

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