Posts de May Barbosa

Editora

Só sabe falar, ouvir e consumir música. Uma jornalista desvendando a paulicéia desvairada.

May Barbosa

MPB do Dia: Are you sure?

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A banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico esbanja irreverência e criatividade com o sambinha “Insensatez – a Mulher Que Fez”. Na música, contam a experiência de um suposto “fio terra” proporcionado pela esposa ao marido na lua de mel.

Resultado: o moço acaba gostando da experiência e se perde na dúvida, e no prazer, de um “para, continua, continua, para, para, para, continua, para…”. O clímax na canção vem do divertidíssimo e ambíguo trecho: “baby, você me arrombou, resolvi virar um guein guein guein”.


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“Insensatez” é uma das faixas do álbum que leva o nome da agrupação, “Graviola e o Lixo Polifônico”, de 2008. A banda traz uma proposta de reciclagem de diferentes gêneros da música e sempre com um tom de brasilidade – como é perceptível em seus três discos lançados. Um verdadeiro liquidificador de experimentações e música nacional.

MPB do dia: de quem espero que aquela jura não tenha ido para mais ninguém

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Doçura! Talvez seja a única palavra que explique a voz de Marisa Monte, mas que é ao mesmo tempo tão forte na medida que é terna.


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“Para Mais Ninguém”, do disco “Universo ao Meu Redor” de 2006, é aquele sambinha gostoso e triste, como um belo samba deve ser. Em músicas como esta, Marisa mostra que busca na raiz do estilo a inspiração pra sua carreira. E isso ela mostrou, e bem, em parceiras duradouras com Paulinho da Viola (que assina a faixa) e a Velha Guarda da Portela.

Marisa é, pra mim, a legítima representante feminina da MPB dos dias de hoje. Ela reina, e leva toda a sua majestade da maneira mais singela, amena e tranquila possível em seus quase 23 anos de carreira. Prova disso, são faixas como “Para Mais Ninguém”.

MPB do dia: eu amo você, menina

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Com influências do soul norte-americano, música brasileira e rock, Tim Maia trouxe um diferencial e um suingue a mais para a música brasileira. Hoje, se estivesse vivo, o cantor completaria 70 anos. O seu jeito meio arrogante e descontraído deixou uma marca que é reverenciada por várias gerações.


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Juro que não queria escolher uma música deprê do Tim Maia para hoje. Mas pensei em uma que realmente mexesse com comigo. “Eu amo você” é uma baladinha triste, de um amor meio impossível. Como grande soul man, Tim mostra sem esforço e de uma maneira delicada todo o sofrimento desse amor. E que voz!

“Eu amo você” faz parte do primeiro álbum de estúdio do cantor, intitulado “Tim Maia”, de 1970. O álbum foi um dos mais vendidos no ano seguinte, consolidando a carreira do cantor. Tim Maia teve uma vida conturbada, desde sua ida ainda adolescente para os Estados Unidos, o uso de drogas e o ingresso na seita “Cultura Racional” que o fez se afastar dos “prazeres mundanos”. O cantor morreu em 1998, após duas paradas cardiorespiratórias.

A sua espontaneidade, carisma e um “foda-se você” como estilo de vida, fizeram com que Tim se tornasse único. Fazendo sua ausência triste, mas que é compensada por uma infinidade de músicas que marcaram a vida de muitos.

MPB do dia: que nega é essa?

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Até onde sei Jorge Ben Jor é uma unanimidade nacional. Isso não só por seus hits clássicos como “País Tropical” e “Taj Mahal”, que vivem tocando pelas micaretas de norte a sul do Brasil, mas por sua carreira sólida e uma legião de fãs aos seus pés. Eu sou um deles.


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“Que Nega É Essa” é uma das muitas músicas em que Jorge descreve uma menina mulher da pele preta, uma nega chamada Tereza. Não sei se todas as “negas” cantadas são a mesma pessoa, mas ela é aquela presença marcante em suas letras – e dá gosto de ouvir, dançar e imaginar que essa nega pode ser você mesma.

Ele descreve como ninguém a sensualidade da típica mulher brasileira. É isso que gosto em suas músicas: a simplicidade e aquela tranquilidade para fazer um trabalho que dê certo. Um legítimo carioca que canta o Brasil e suas maravilhas da maneira mais gostosa de se ouvir.

A música “Que Nega é Essa” faz parte de “Ben”, um dos álbum mais aclamados do cantor e que traz vários sucessos, como “Fio Maravilha”, que faz parte de uma extensa discografia, respeitada e reverenciada em todo o mundo. E, sem dúvida, uma parte da MPB que deve ser conhecida por todos por tamanha grandiosidade.

MPB do dia: eu não sei dançar, tão devagar pra te acompanhar

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Não é porque ela acabou de completar 57 anos, que ela está aqui hoje. Mas acaba sendo uma homenagem, porque é uma das vozes mais fortes e marcantes da música brasileira. Marina Lima é aquele tipo de cantora que parece não fazer força pra cantar. Ela simplesmente abre a boca e a mágica acontece.

Quando apareceu, lá pelo começo dos anos 1980, a cantora não chamou muita atenção. Afinal, a MPB estava cheia de cantora como Elis Regina e Betânia. Mas Marina Lima foi ganhando espaço com a sua voz meio rouca. Fez sucesso com as músicas de Lulu Santos e Lobão, em composições como “Fullgás” e “Me Chama”.


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“Não Sei Dançar” é um faixa intensa, que dá aquela tristezinha no coração de quem ouve. Não quero deixar vocês tristes, não mesmo. Mas essa é, pra mim, uma das música mais bonitas que Marina já cantou. A voz dela se encaixa nessa melancolia que a letra traz.

Com “Clímax”, álbum lançado no ano passado, Marina segue na ativa, mas afastada da grande mídia desde o “Acústico MTV” (2003). Isso é o que realmente nos causa tristeza. Claro que a cantora não está no limbo musical, e também já teve os seus anos de glória. Mas eu trocaria as mesmices das “famosas” de agora por uma só Marina.

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