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A depressiva de Higienópolis
Por André Pacheco comentários
Criada em berço de ouro numa tradicional família judaica de classe-média alta, Ádima Laura Stein Hamburguer de Hazan espera, pacientemente, o seu grande amor, ou pelo menos, a sua volta. Desde quando foi largada no altar com apenas 21 anos, e humilhada perante os pais, avós, primos e colunistas sociais dos principais jornais de São Paulo capital, Ádima não aguentou o tranco e se fechou para o mundo. Enquanto ia cada vez mais para o fundo do poço, ela se tornava uma comedora compulsiva de doces e fumante inveterada. Não dispensava uma dúzia de cupcakes e um cigarro de filtro vermelho enquanto olhava apática, todos os dias e no mesmo horário, o trânsito no cair da tarde da movimentada Avenida Angélica. Com o peso no mundo nas costas, e nos quadris, essa moça linda de rosto é “A depressiva de Higienópolis”.
O meio dia daquele segundo domingo de março nunca seria esquecido por Ádima. O longo vestido branco, caprichosamente bordado com cristais Swarovski, e as rosas colombianas, dispostas delicadamente em arranjos ao longo de uma exuberante tenda, pareciam anunciar que a sua nova vida ao lado do bem quisto noivo começaria com o pé direito. Apenas parecia, tudo foi um desastre.