Um mergulho na poesia de Recife com “A Febre do Rato”
Por Wesley Muniz comentários

No último dia 19, aconteceu a pré-estreia oficial de “A Febre do Rato”, na Reserva Cultural, em São Paulo – um dia depois de sua apresentação no Rio de Janeiro. O filme é distribuído pela Imovision, expert na distribuição de filmes autorais, dentre os quais, o ótimo e adorado, “Dogville” (com Nicole Kidman, de 2003).
Na sessão, a presença do diretor Cláudio Assis, (“Amarelo Manga”, 2003 e “Baixio das Bestas”, 2007), que entrou no cinema escandaloso e, como sempre, polêmico. Sem papas na língua, afirmou que “ele sim, sabia fazer cinema de verdade”, uma clara indireta ao diretor brasileiro Walter Salles, que é consagrado internacionalmente e agora faz sucesso nos Estados Unidos com “On The Road”, com Kristen Stewart no papel principal.
Ao que interessa, o filme possui todos os elementos do cinema velho nacional, tais como muitos palavrões, barracos, muita nudez e drogas. Mais do que polêmico, ele conta a história de Zizo (impecavelmente interpretado por Irandhir Santos), um poeta anarquista, inconformado com o conformismo da sociedade atual e que, através de contos e poemas, tenta expandir seus pensamentos para a população de Recife – cidade que serve de plano de fundo para a história.
Zizo cria sua própria comunidade, onde sexo, ilicitudes e muita poesia com amigos, convivem em comunhão quase naturista. Mais tarde, o protagonista conhece Eneida (atuação não menos grandiosa de Nanda Costa), por quem se apaixona e apresenta seu mundo sem pudores, um mundo marginal, recheado acima de tudo, por amor e muita mensagem de paz.
Com um final muito impactante, o longa é um poema visual e literal. Cláudio Assis repetiu as polêmicas de seus dois últimos filmes, e eu ainda diria que conseguiu se superar. “A Febre do Rato” relembra o cinema marginal da década de 70 e, de forma mais contraída, alguns elementos da pornochanchada.
O filme é imperdível, principalmente para os amantes do cinema autoral nacional, algo que está aos poucos em extinção. Celebra a marginalidade e a defesa das minorias, sejam elas quais forem. Diria que é um filme para todos os tipos de pessoas, é para homens com poesia e até mesmo para ratos com poesia. Ah, e a trilha sonora é outro ponto forte, com direito a Jorge Du Peixe, de “Nação Zumbi”.
Se você quer ver o delicioso Juliano Cazarré, Adauto de “Avenida Brasil”, em ação, se é que você me entende, esse filme é imperdível.





