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Preciosa imaginação colorida

Publicado em Por André Pacheco

Precious
Com carga dramática capaz de fazer até o mais babaca derramar alguma lágrima, o longa “Precious” conta a história de Claireece Precious Jones.

Sem muitas perspectivas de uma vida mais amena, Claireece narra sua história com uma frieza vezes assustadora e beirando ao pragmatismo – o que é uma consequência clara dos abusos sofridos em casa. Mesmo assim, ela tem sonhos comuns às garotas de sua idade: quer um namorado bonito e fama. Mas, aqui, os devaneios saem do lugar comum e ganham um contorno mais maduro.

Precious – como é conhecida – almeja um namorado para fazer frente aos abusos do pai e a fama para que as pessoas ao seu redor a escutem. São nos sonhos que a história se sustenta e se desenvolve sem obstáculos. Seja apagada após apanhar ou viajando na realidade, esse mundo paralelo da protagonista ganha saturação e trilha-sonora mais animada, criando assim o paradoxo que transforma “Precious” num ótimo filme.

O diretor, Lee Daniels, teve a sensibilidade correta ao transportar para a tela a obra “Push”, lançada em 1996 pela escritora norte-americana Sapphire. Escolheu um bom elenco, que traz a iniciante Gabourey Sidibe no papel principal, e a comediante Mo’Nique, irreconhecível como a severa mãe.

As estrelas da música Mariah Carey e Lenny Kravitz dão o ar da graça servindo de alicerce à Claireece, ao lado de Paula Patton (que interpreta a meiga professora Ms. Rain).

Por ser independente, o filme sai dos clichês que esse tipo de história traria. Não tem excesso de choro, música bonitinha para vender trilha-sonora ou um roteiro linear que acaba caindo na mediocridade. “Precious” traz uma visão adulta das tristezas de uma adolescente invadida em seu lar, usa e abusa naturalmente de tomadas fortes e fotografia ímpar e, no fim, dá uma ótima aula de “como sonhar”.