Perdemos o Wando e parte do romance se foi
Publicado em Por Ana Paula Cruz

Na última quarta-feira, com a notícia da morte do cantor Wando, aos 66 anos, resolvi que precisava fazer uma homenagem a ele.
Não, nunca fui a nenhum show, assim como a maioria das pessoas que conheço ou que compartilharam milhões de homenagens em seus murais. Mas sei cantar algumas das músicas mais famosas. Mas sempre soube que ele tinha algo a mais, algo que poucos artistas brasileiros tem a coragem de assumir, e quando assumem são rotulados de “brega”.
O romance, o amor com “A” maiúsculo, totalmente despido de pompa e desconversas. O clichê no seu mais puro sentido que, deste modo, acaba fugindo de qualquer clichê. Wando não tinha vergonha de ser ridiculamente romântico e por isso que conquistava fãs de todas as idades, sendo o rei de qualquer karaokê.
Desde a notícia de sua morte, busquei na minha memória qual filme poderia me ajudar a explicar o que exatamente Wando, e poucos cantores como eles sabem fazer muito bem.
Foi aí que cheguei ao querido filme “Chega de saudades”, de Laís Bodanzky e lançado em 2008. O longa retrata uma noite em um baile da saudade, aqueles específicos à terceira idade, e escancara os dramas e as virtudes de pessoas que não desistiram de viver, que mantém a juventude acesa.
Pessoas, que mesmo depois de tantos anos, ainda dão chance para o amor e o encaram com a maturidade que a vida lhes oferece, porém, existe pressa e todos os receios comuns da juventude.
O contraste existente entre o jovem casal Marquinhos (Paulo Vilhena) e Bela (Maria Flor), que as vezes chega a ser agressivo e vazio em relação às calorosas relações vividas no salão. O amor e cumplicidade entre a dupla Álvaro (Leonardo Villar) e Alice (Tônia Carrero), além da eterna busca de Elza (Betty Faria), Marici (Cássia Kiss) e Aurelina (Conceição Senna), cada uma a seu modo.
No salão, a vida existente chega a fugir da realidade. “Parece que este lugar não existe”, diz Bela ao ver um brilho emanando das pessoas a sua volta. Ali está o romance, na forma mais bela e brega, ali está a força que motivou Wando a cantar, onde o clichê emociona. Onde todo o brega da música brasileira toma sua forma mais pura, indo além dos cantores amadores de noites em botecos, também eternos apaixonados. Viva o romance!





