Os gêneros de lá e os gêneros de cá
Por André Pacheco comentários

Via Good com informações da Associated Press – Enquanto no Brasil o machismo impera, com direito a chantagens dos fundamentalistas de seitas cristãs para continuar impondo medidas segregacionistas no cotidiano educacional, em algumas nações as noções de gênero vão ganhando novas formas.
A Suécia – um país tradicionalmente avançado em várias frentes – tomou uma decisão que não veríamos tão cedo por aqui, se é que um dia veríamos. O país tem planos nacionais de educação para eliminar as noções de gênero já na pré-escola. Na escola-piloto Egalia, no liberal distrito de Sodermalm em Estocolmo, as crianças não mais aprendem a chamar de “ele” ou “ela”, mas de “hen” – um termo sueco que em tradução livre poderia ser entendido como “amigo”.
E tem mais, das cores nos materiais didáticos aos livros nas prateleiras, tudo é escolhido para que as crianças não fiquem amarradas no que o ocidente classificou como feminino e masculino. “A sociedade espera que meninas sejam femininas, amenas e bonitas, e os meninos sejam viris, ásperos e de iniciativa própria”, disse a Associated Press o professor Jenny Johnsson, e defende o projeto afirmando que na “Egalia as crianças têm a fantástica oportunidade de escolher quem vão ser”.
A Suécia vem investindo em um sistema educacional menos sexista e promovedor das boas relações entre o “masculino” e o “feminino”. Mesmo sendo um país com a mentalidade de prover oportunidades iguais aos seus cidadãos, vê-se que o homem ainda leva vantagem em várias frentes. Também foi um dos pioneiros em dar reconhecimento civil às famílias formadas por homossexuais.
Mas nem tudo são flores. Egalia não é vista com bons olhos por setores conservadores da Suécia. “O problema não está na divisão de gêneros, e sim na importância que você dá a ele”, diz Tanja Bergkvist, blogueiro local que é uma das vozes contra o projeto. Ele classifica os parâmetros como “uma loucura de gênero”. Loucura ou não, tudo junto e misturado pode trazer formações positivas para uma sociedade.
É uma questão de mentalidade que muda com o tempo, o machismo – que estamos acostumados a ver como normal e na maioria das vezes supervalorizado – deveria ser combatido desde a infância. E onde está a origem da supremacia social do homem sobre a mulher? Algumas vozes contra Egalia, argumentam que não ensinar noções fortes de gênero desde a infância, pode causar confusão. Como se as coisas do jeito que estão fossem perfeitas.





