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Almodóvar: mestre dos enigmas

Publicado em Por Ana Paula Cruz

A Pele Que Habito
Antonio Banderas e Elena Anaya. Foto: Divulgação

Resisti bastante em assistir “A Pele Que Habito” (La Piel Que Habito, 2011) de Pedro Almodóvar. Mesmo ouvindo diversas pessoas falarem muito bem do longa e gostando do diretor – em especial, quando o assisto no cinema. Almodóvar sempre abusa das cores, de tramas complexas e, em geral, traz grandes enigmas.

Aliás, enigma define muito bem o filme. Muitas perguntas e respostas vagas até o desenrolar do enredo e, para ser sincera, foi melhor enquanto as respostas estavam sob segredo. No início, o filme empolgou, mas aos poucos senti que o terror (sem sustos, de acordo com o diretor) foi morrendo conforme tais respostas iam sendo expostas.

Poderia dizer que, no final, estava numa situação ambígua: a sensação de querer mais, mas ao mesmo tempo uma vontade louca de ir embora logo. Depois, concluí que terminou no momento exato. Mesmo sabendo que poderiam ser explorados alguns outros assuntos, como a ideia da super pele, por exemplo, oferecendo milhares de oportunidades. Para mim faltou algo nesse sentido.

Antonio Banderas interpreta o cirurgião plástico Robert Ledgard, que tem um pouco de Doutor Frankenstein. Com a morte de sua esposa após um acidente de carro, ele resolve construir uma pele geneticamente modificada, resistente ao fogo e à dor. O médico mantém Vera Cruz (Elena Anaya), uma mulher misteriosa, sob confinamento, e no desenrolar da história os personagens vão mostrando quem realmente são.


Ao contrário dos comentários, não achei “A Pele Que Habito” tão diferente dos demais filmes com a grife Almodóvar. A sua marca está lá, em todas as cenas. As cores vivas transformaram-se nos tons pastéis que dominavam as sequências. Para quem viu outros filmes de Almodóvar, sabe que ele tem o costume de deixar os assuntos com menos importância sem solução explícita, e acredito que é aí que mora todo o encanto de sua obra.

Saí do cinema com a ideia de que o longa é para ser lentamente digerido e, somente assim poderia ser compreendido. Tanto que no decorrer da semana depois que o assisti, pude perceber todos detalhes que contribuíam para que eu formasse, de fato, a minha opinião sobre “A Pele Que Habito” e o motivo por ter sido tão apreciado pelos críticos. Se você ainda não assistiu, ainda dá tempo.