Vestiário

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O começo do fim

Está na hora de seguir em frente e trilhar um novo caminho!

Yhury Nukui

Lembro como se fosse ontem do dia em que enviei um e-mail pedindo por uma oportunidade para escrever no Vestiário, um dos portais que eu mais admirava na internet. Estava para completar dezoito anos e recebi um "não" como resposta, seguido de um "não temos como pagar". Insisti, afinal, não estava à procura de dinheiro, mas de poder fazer o que eu amo: escrever. E já se passaram mais de três anos.

Minha estreia foi um dia depois do meu aniversário em um texto que falava sobre um teaser de 15 minutos do registro audiovisual de Adele no Royal Albert Hall. De lá pra cá, muita coisa mudou. Menos a Adele, que até hoje não lançou um disco novo e ainda nos obriga a ouvir o “21”. Vi gente chegar e, num piscar de olhos, dando lugar a outras igualmente especiais.

Sempre me perguntam de onde sai todo o amor por esse projeto, e nenhuma outra imagem vem a minha cabeça, senão a do rosto das pessoas que fazem e fizeram parte de toda essa loucura até agora.

Do André, que idealizou isso aqui tudo e nunca fugiu de dizer o que pensa; da fortaleza que são as nossas Anas; das artes que falam do Juca; dos inspiradores Artur e Duds (pra mim, sempre Maria); do jeito firme e decidido da Mônica; da vontade de fazer do mundo um lugar um pouco mais tolerante do Murilo e do Jones; do amor ao pop do Guilherme; da preocupação em dar sempre o melhor de si do Jean e da Rafaella; da fofura (com abraços quentinhos) do Renato; das artes bem-humoradas do Vic e do Myr; e do Renan, que tenta sempre te arrancar um sorriso do rosto todos os dias. Ah, e do Jader, que não está mais no coletivo, mas é muito parte desse projeto.

O Vestiário vai descansar. Tirar um tempo pra si e refletir em tudo que ele fez até agora. Das histórias de grandes ícones, como a grande Luciana Genro, à relatos de personagens que enriqueceram tanto as discussões que trouxemos para cá. Nos orgulhamos de cada palavra que aqui foi escrita e fomentou, de certa forma, uma discussão. Seja na internet, ou fora dela.

Não direi aqui que acabamos para sempre. Se até as Spice Girls fizeram uma turnê de reunião, por que nós também não poderíamos? Nossa sorte é que não há uma Victoria Beckham no grupo e ninguém vai cogitar uma recusa de um retorno. Sempre que uma discussão precisar ser feita, e nós quisermos falar, por que não?

Nunca fomos um projeto amplamente conhecido com milhões de curtidas no Facebook e mil tuítes por minuto em resposta aos nossos textos. Mas sempre demos o nosso melhor, sem ganhar um centavo, apenas por saber que haviam pessoas que nos liam e gostavam do nosso trabalho. Não importa se uma ou mil.

Fechamos essa porta, mas sabemos que temos muitas para serem abertas ao longo do caminho. E tenho certeza que ainda nos cruzaremos por muitas e muitas vezes.

O Vestiário incentivou, ao longo desses quase sete anos de projeto, que todo mundo fosse o que tivesse vontade, sem ter que se preocupar com a opinião do outro. E espero que você não se esqueça disso.

A gente se vê!

Com saudade,
Yhury Nukui

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Edição #23
Pelo direito de ser extremista
Editorial

Pelo direito de ser extremista

Murilo Araújo

Nessa vida, a gente precisa de algumas radicalidades. Uma das que escolhi pra mim é fazer tudo que estiver ao meu alcance pra que discursos violentos não tenham mais lugar nesse mundo. Não teremos nenhuma “tolerância” com aquilo que nos agride.

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