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Nick Horby e as garotas

Nick Horby e as garotas

Depois de uma pausa de cinco anos na literatura, Nick Horby retorna com a trama sessentista “Funny Girl”, explorando o universo televisivo dos sitcoms.

Renato Cabral

Já faz cinco anos desde que o inglês Nick Horby lançou o seu último livro de ficção, o morno “Juliet, Nua e Crua”. Retornando à literatura depois de um longo período como roteirista em filmes como “Educação” (2010), do recente “Livre” (2013) – com Reese Witherspoon –, e do inédito “Brooklyn”, Horby parece ter tirado um bom tempo para dar segmento as suas histórias de uma maneira menos usual com “Funny Girl”, lançado no exterior em novembro do ano passado e que chega agora no país pela Companhia das Letras.

Englobando elementos já comuns de sua narrativa, Horby nos situa nos anos 60, quando todos estão hipnotizados pela sensação da comédia Sophie Straw. Por de trás das câmeras do sitcom protagonizado por Straw, a equipe parece estar vivendo o auge de suas vidas profissionais. Mas com o andar das filmagens, roteirizadas pela dupla cheia de segredos Tony e Bill, e dos acontecimentos na vida de cada um, a vida começa a imitar a arte, com a ficção e a realidade convergindo, obrigando todos a tomar decisões arriscadas quanto aos relacionamentos pessoais e profissionais.

Nick Horby e as garotas
Divulgação“Funny Girl” é lançado no Brasil pela Companhia das Letras

Trazendo novamente uma personagem feminina central, a jovem Straw, Hornby nos faz refletir sobre a fama, cultura pop, o envelhecimento e questões que envolvem o coletivo e a sociedade. Todos temas já recorrentes nos seus seis livros anteriores. Em “Alta Fidelidade”, de 1995, o ostracismo, a nostalgia e o amadurecimento tardio se fazem presentes com os personagens. O mesmo vale para a trajetória de Horby no cinemam, que conta com mulheres por todo o seu caminho, as adaptações para as telas de outros romances, como os autobiográficos: “Livre” e “Educação”, tratam de memórias de mulheres em momentos-chave de suas experiências, sejam em depressão ou descobrindo as amarguras do mundo. Em “Funny Girl”, não é muito diferente.

Aos 57 anos, o escritor constrói suas personagens mulheres de forma meticulosa, com um preciosismo notável. Se seus personagens masculinos são um tanto perdidos e alienados em alguns momentos, como o galã indeciso Clive, por outro lado, as mulheres tomam as rédeas da situação, por mais que possuam os mais variados problemas pessoais. Hornby distancia suas criações de um momento mágico perfeito e é notável a forma como desmascara aqui, em Funny Girl, a exagerada perfeição e projeção com que se enxerga o meio televisivo.

Roteirista de cinema
Quatro roteiros adaptados para as telonas

Se tornou comum seu envolvimento com cinebiografias, no caso do roteiro de “Livre” e “Educação”, ambos destacando personagens mulheres.

Seu mais recente trabalho, “Brooklyn” se mantém na área do feminino falando sobre uma mulher dividida entre dois países e dois homens, no meio dos anos 50.

A produção saiu elogiada do Festival de Sundance e é esperada na próxima temporada de premiações.

1 Futebol x 0 Beisebol
O primeiro romance

Um de seus primeiros romances, o autobiográfico “Febre de Bola”, de 1997, ganhou uma adaptação para os cinemas com Colin Firth como protagonista.

No longa, um inglês obcecado por futebol quase perde sua namorada tamanha a loucura pelo esporte. Um sucesso no Reino Unido, em 2005 o filme foi adaptado por Hollywood, com Drew Barrymore e Jimmy Fallon no elenco, no lugar da paixão principal do inglês (e até mesmo brasileiros), coloram o beisebol.

O filme foi um verdadeiro fracasso de crítica e público.

Sophie, nossa Funny Girl do título, tem como inspiração direta um ícone das comédias dos anos 50, a americana Lucille Ball. Com uma personagem que tenta fugir de seu passado e acaba adotando essa nova identidade do estrelato, Straw se junta se junta ao panteão de personagens inesquecíveis da literatura inglesa pop de Hornby, ao lado das também problemáticas Juliet, de “Juliet, Nua e Crua”, ou de Fiona, “Um Grande Garoto”, e da dupla Jess e Maureen, de “Uma Longa Queda”.

De um brilhantismo que reverbera fortemente, vai ser impossível não se recordar por um bom tempo da carismática personagem, que assim como Horby, é relevante como sempre.

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Nessa vida, a gente precisa de algumas radicalidades. Uma das que escolhi pra mim é fazer tudo que estiver ao meu alcance pra que discursos violentos não tenham mais lugar nesse mundo. Não teremos nenhuma “tolerância” com aquilo que nos agride.

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