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A tecnologia a favor da arte

A tecnologia a favor da arte

O mercado fonográfico expande o seu campo de atuação ao se aproveitar das novas tecnologias e de aplicativos.

Guilherme Popolin

Como parte de um movimento natural, o mundo artístico incorpora cada vez mais as inovações tecnológicas nos processos de criação e divulgação. De pintores que utilizam aplicativos no iPad, aos novos esquemas de divulgação em serviços de streaming, o leque de exemplos aumenta a cada dia.

As gravadoras, abaladas à princípio pelo boom das trocas de arquivo, seguem a tendência e vêm experimentando maneiras de aproveitar novas plataformas, com estratégias para aquecer o mercado fonográfico, ou pelo menos mantê-lo estabilizado.

Mais do que unir casais compatíveis ou pelo menos gerar boas risadas, o Tinder, aplicativo para localizar e conectar pessoas, foi o meio mais apropriado encontrado por Jason Derulo para o lançamento do videoclipe “Want To Want Me”.

Quem abriu o Tinder em 23 de março, numa segunda-feira, encontrou como uma das opções para “match” o perfil do cantor. Ao curtir, o usuário recebia uma mensagem com o link do clipe no YouTube e um link para o iTunes. A música foi o primeiro single de seu quarto álbum em estúdio, o “Everything Is 4”.

Segundo o dono do hit “Wiggle”, sua parceria com o rapper Snoop Dogg, em entrevista para a US Weekly, o Tinder era o lugar perfeito para o lançamento do novo single, já que é lá que uma boa parte dos relacionamentos modernos podem começar. Além do mais, é possível relacionar a letra de “Want To Want Me” com um encontro casual marcado através do aplicativo, mas isso fica a critério da imaginação de cada um.

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Depois de toda a confusão com o vazamento do álbum “Rebel Heart”, Madonna segue firme, e em meio a polêmicas, na divulgação de seu décimo terceiro álbum de estúdio e escolheu o aplicativo Snapchat para lançar com exclusividade o videoclipe “Living For Love”. Foi a primeira vez que algo do tipo foi realizado no espaço, que aproveitou para lançar a funcionalidade Discover, permitindo que empresas publiquem conteúdos que não são apagados instantaneamente, como acontece com os usuários comuns.

Com o lançamento do videoclipe de Madonna, o Snapchat, que pode valer até 15 bilhões de dólares, de acordo com investimento feito pelo grupo chinês Alibaba, segue a tendência de outras redes sociais, como o Facebook e o Twitter, que auxiliam as gravadoras a inovarem no combate à queda das vendas e aos possíveis vazamentos.

Para Madonna, inovar e arriscar nunca é de mais. A cantora também utilizou o Grindr, aplicativo de encontros voltado ao público gay, para promover o seu “Rebel Heart”. Na ação, válida apenas para moradores dos EUA, os usuários precisavam postar uma foto recriando a capa do álbum, com a hashtag #LivingForLove, e cinco fãs para conversar com ela no Valentine’s Day e outros três sortudos ganharam CDs autografados.

No começo de março, utilizando mais uma rede social, Madonna comemorou o lançamento do “Rebel Heart” conversando no Instagram com alguns fãs que postavam a hashtag #AskMadonna. Não tem como negar que a Rainha do Pop está em sintonia com as redes sociais e sabe usá-las ao seu favor.

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Lady Gaga levou a fama de ser a primeira artista a lançar um aplicativo para promover o álbum “ARTPOP”, em 2013. É fato que ela foi a primeira cantora pop do mainstream a realizar tal feito, mas em 2011, Björk causou uma revolução ao lançar “Biophilia”, o oitavo de sua carreira e o primeiro álbum de estúdio no formato aplicativo do mundo. O disco, produzido em parte em um iPad, tem no aplicativo os recursos visuais e sensoriais que permitem aos fãs imergirem no universo de cada canção.

“Biophilia”, disponível para dispositivos móveis, pode ser encontrado nas lojas virtuais iTunes e Google Play até hoje. Ao contrário de Björk, Lady Gaga não teve sorte com seu “ARTPOP” e acabou enfrentando, na época de lançamento, problemas com os usuários do Android.

A princípio, o aplicativo permitiu apenas que o usuário criasse sua Aura, interagisse com a mulher virtual PetGa, ouvisse o álbum e se conectasse com a rede Little Monsters, além da montagem de gifs. Outras duas funcionalidades prometidas não chegaram a ser lançadas, e Lady Gaga encerrou as atividades do aplicativo.

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Ao mesmo tempo em que as redes sociais e aplicativos podem contribuir para ampliar a experiência dos consumidores e apreciadores de música, quando mal administrados e elaborados, o efeito pode ser contrário e o tiro de inovação sair pela culatra. Gaga está aí para não me deixar mentir!

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Edição #23
Pelo direito de ser extremista
Editorial

Pelo direito de ser extremista

Murilo Araújo

Nessa vida, a gente precisa de algumas radicalidades. Uma das que escolhi pra mim é fazer tudo que estiver ao meu alcance pra que discursos violentos não tenham mais lugar nesse mundo. Não teremos nenhuma “tolerância” com aquilo que nos agride.

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