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To Glee, with love

To Glee, with love

Uma ode à série musical mais aclamada dos últimos anos.

Duds Saldanha

Poucas séries pegaram as pessoas tão de surpresa como “Glee” e seu público sempre crescente. A série chegou, em 2009, quietinha e prometendo ser uma espécie de “High School Musical” versão estendida – as comparações eram inevitáveis.

Mas elas pararam no “musical”. Todo o drama que vimos no filme da Disney foi multiplicado por dez na série, exibida pelo canal Fox tanto nos Estados Unidos como aqui no Brasil, que logo nos primeiros episódios mostrava que o romance garoto popular encontra garota outsider era apenas um dos muitos assuntos que a série abordaria. Gravidez na adolescência, câncer, homossexualidade, suicídio, mudança de gênero e deficiência física foram apenas alguns dos temas que “Glee” discutiu, sem medo.

Criada por Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan, e ainda que fosse uma série de relevância imensurável devido ao diálogo divertido e único com o público mais jovem, de modo a colocar assuntos importantes em pauta, “Glee” tinha uma premissa bem simples: a luta do professor de espanhol Will Schuester (Matthew Morrison) para manter o New Directions, clube do coral do colégio McKinley, em Lima, Ohio, na ativa, ensinando a seus alunos valores importantes e levando-os às competições de coral de escola – seletivas, regionais e nacionais. Cada semana Will levava um assunto para a sala de aula e os alunos “cantavam sobre isso.”

Entre um episódio e outro, uma música e outra, uma cadeira derrubada aqui, uma bola de futebol americano ali, os alunos criaram laços entre si e com Will. Finn (Cory Monteith), Rachel (Lea Michele), Kurt (Chris Colfer), Mercedes (Amber Riley), Tina (Jenna Ushkowitz), Artie (Kevin McHale), Quinn (Dianna Agron), Santana (Naya Rivera) e Brittany (Heather Morris) logo ocuparam os lugares principais na série e nos nossos corações.

Desenvolvimento de personagens

Amigos, inimigos, irmãos: “Glee” retratou com perfeição as inconstâncias da adolescência

Sendo um grupo de escola onde as pessoas se formam, entram novos alunos, saem alguns alunos antigos, a instabilidade é marcante, instabilidade essa que é traço característico de qualquer adolescente americano. “Glee” segue a premissa perfeita de que as pessoas crescem, e quando se é adolescente, as mudanças são uma atrás da outra.

Com maestria, os criadores da série nos fizeram ver a evolução pessoal de vários personagens fazendo com que nós mesmos crescêssemos com eles, como quando Finn foi de quarterback popular para líder do clube do coral e irmão absolutamente protetor de Kurt, adolescente gay com o qual ele ainda tirava uma onda por influência do resto do time de futebol; outro exemplo bom é Santana, que foi de cheerleader egocêntrica que tirava a virgindade dos menininhos para namorada dedicada de Brittany, e que ainda conseguia ser legal (na medida do possível). As maiores qualidades dos personagens às vezes eram o que algumas pessoas vêem como defeitos, como a tenacidade de Rachel e a sinceridade afiada de Quinn.

Ao final de seis temporadas, vimos que esses adolescentes, agora adultos, podem contar uns com os outros, e que o Glee Club fez com que a amizade deles ficasse cada vez mais forte.

Em “Don’t Stop”, no finalzinho da segunda temporada, o Glee Club une forças para animar Sam (Chord Overstreet), que estava passando por dificuldades.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

É na segunda temporada, entretanto, que entram dois personagens que se mostrariam importantes até o final da série: Sam, que entra para ser membro do New Directions, e Blaine Anderson (Darren Criss), que é o vocalista dos Warblers, grupo de coral acapella da Dalton Academy e interesse amoroso de Kurt. Blaine acaba tornando-se um dos personagens mais carismáticos da série.

Precisamos conversar sobre…

Alguém na televisão precisava falar de certos assuntos com os jovens. “Glee” foi lá e fez!

Por estar perto dos adolescentes, “Glee” sempre falou com seu público em sua língua. Sem perder o humor e o foco (na maioria das vezes, vai), a série abordou os mais diversos assuntos. Enquanto homossexualidade e empoderamento feminimo sempre estiveram presentes nas histórias, assuntos como suicídio, mudança de gênero e religião não ficaram de fora. Um dos assuntos mais marcantes foi o da irmã de Sue Sylvester (Jane Lynch), Jean (Robin Trocki), e uma de suas alunas, Becky Jackson (Lauren Potter), ambas com Síndrome de Down. Becky quebrou esteriótipos, sendo a cheerleader braço direito de Sue.

Outro assunto bastante comentado foi a tentativa de suicídio de Karofsky (Max Adler), um dos melhores personagens da série na questão de evolução, que sucumbiu aos ataques de bullying por ser homossexual.

*O vídeo abaixo traz uma cena de tentativa de suicídio. Se você não se sentir confortável, não assista!

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Vocal Adrenaline e Warblers

Por que eles tinham que competir com alguém, né?

Dois dos grandes destaques e principais adversários do New Directions são o Vocal Adrenaline, da Carmel High, e os Warblers, da Dalton Academy, e são dois grupos bem característicos.

Enquanto o New Directions era formado por desajustados, populares, deficientes, enfim, todo o tipo de gente, o Vocal Adrenaline era formado por alunos dedicados, comprometidos e focados apenas em vencer, submetendo-se às mais exaustivas horas de treino. Durante a primeira temporada, ele foi liderado por Jesse St. James (Jonathan Groff), par romântico de Rachel durante alguns episódios.

Na segunda temporada, a líder é Sunshine Corazon (Charice). Na terceira temporada, é liderado pela Unique (Alex Newell) e não aparece na quarta e quinta temporadas. Na sexta, Will Schuester é treinador e o líder é um garoto chamado Clint.

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Em contrapartida, os Warblers eram alunos homens, sendo a Dalton uma escola exclusivamente masculina, delicados, otimistas e muito talentosos que faziam as coisas com o maior sorriso de quem estava no mínimo tendo o melhor dia da vida a cada apresentação, elas sempre meticulosas e bem coreografadas.

Na segunda temporada, é liderado por Blaine Anderson; na terceira, por Sebastian Smythe (Grant Gustin); na quarta por Sebastian e Hunter Clarington (Nolan Gerard Funk); na quinta só aparece uma vez, Blaine como líder e na sexta temporada o nome do líder é desconhecido, apesar de existir um.

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The show must go… all over the place… or something

“Glee” perde sua maior estrela e apresenta estar ainda mais debilitada

No dia 13 de julho de 2013, o mundo acordou mais triste: todos os fãs da série e amigos pessoais de Cory receberam a terrível notícia de que o ator havia sido encontrado morto em um quarto de hotel em Vancouver, aos 31 anos.

Sendo uma das almas de “Glee”, a morte do ator abalou de vez as estruturas de uma série que já estava abalada desde o final da terceira temporada, quando o elenco principal se formou no colegial e a série resolveu dividir-se em Lima e Nova York.

A morte de Cory atrasou a estreia da quinta temporada, que contou com um episódio tributo ao colega de elenco e um dos melhores até então, e uma semana após a exibição desse episódio, o produtor executivo Ryan Murphy anunciou que a sexta temporada seria a última da série.

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Don’t stop believin’

A sexta temporada e o fim de um ciclo

Em janeiro de 2015, “Glee” retornou à televisão para sua última temporada, cheia de pequenas reviravoltas e pontinhas sendo amarradas. Como temporada, o ciclo está se fechando de uma maneira ótima e divertida, que faz jus à série de 2009, que teve em sua primeira temporada, seus momentos de maior glória.

Introduzindo alguns personagens novos, mas não muitos, o Glee Club volta às suas origens em Lima e promete encerrar a série do mesmo jeito que começou: sem medo de cantar músicas antigas e falar sobre coisas que ninguém fala, já que no sétimo episódio há a volta da treinadora Beiste, agora como Sheldon Beiste, depois de uma cirurgia de mudança de gênero, um discurso maravilhoso sobre finalmente se sentir bem dentro de si e um coral de transgêneros.

Talvez os fãs ainda não estejam prontos para assistir ao final de “Glee”, assim como não estávamos prontos para perder Cory Monteith ou para assistir alguns personagens se perderem na quarta e na quinta temporada, mas uma coisa é certa: depois de 6 anos, 121 episódios e mais de 700 números musicais, toda vez que tocar “Don’t Stop Believin’” em algum lugar, vou sair correndo de onde eu estiver para buscar meu all-star vermelho.

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Edição #22
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