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O futuro decisivo do Fifth Harmony

O futuro decisivo do Fifth Harmony

Em tempos de cyberbullying, o grupo empodera adolescentes inseguras e mostra que elas podem ser o que quiserem.

Yhury Nukui

Quando o Fifth Harmony surgiu, lá na segunda temporada do “The X Factor USA”, que nem Britney Spears foi capaz de salvar, ninguém dava nada por elas.

O EP “Better Together”, lançado meses depois do fim do reality, só confirmou o que todo mundo já pensava. Embora muito radiofônico, era sem identidade e a divulgação foi mísera.

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Entre muitos cancelamentos, as meninas lançaram, no início de fevereiro, o tão aguardado “Reflection”. A impressão que fica, numa primeira audição, é que os produtores pegaram as fórmulas dos hits que circularam entre as primeiras posições da Hot 100, bateram no liquificador, acrescentaram alguns gritos de Camila Cabello, uma pitada de cantoria das outras meninas e bam, o álbum surgiu. Mas, felizmente, é só a primeira impressão e como um todo, o álbum não decepciona.

Embora o protagonismo de Camila ainda seja grande, tanto Lauren, Dinah, Normani e Ally tem seus momentos de destaque. O clima começa quente já com as quatro canções iniciais, “Top Down”, os singles “BO$$” e Sledgehammer, e a “Worth It”, que usa e abusa dos trompetes e soa como uma irmã mais nova de “Talk Dirty”, de Jason Derulo, enquanto “This Is How We Roll” lembra um pouco “Scream & Shout”, o hit de will.i.am e Britney Spears.

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Ally tem seu momento de destaque em “Everlasting Love”, que abre o caminho para uma das mais divertidas faixas do disco: “Like Mariah”. Fãs da diva com maior número de #1’s na história da Billboard, as meninas fazem uma bela homenagem à cantora com um sample de “Always Be My Baby”. Tal como Mariah inovou em sua época, uma participação especial de um rapper seria primordial para que o presente fosse completo e, aqui, quem faz as vezes é Tyga.

As faixas que se sucedem, “Them Girls Be Like” e a maravilhosa “Reflection”, que não por engano dá nome ao disco, gritam girl power. Na primeira, elas fazem uma clara referência à “Flawless”, o hino de Beyoncé, ao entoarem o verso “i woke up like this”, enquanto na segunda, dizem estar apaixonadas pelo seu próprio reflexo.

“Suga Mama” traz um refrão cativante e grudento, tal como “Going Nowhere” e “Body Rock”, que parece ter saído de uma balada do fim dos anos 90. Talvez a única balada assumida do disco seja “We Know”, que faz jus ao dar destaque às muy talentosas Dinah e Lauren.

É hora da revisão!
O que outras girlbands de sucesso podem ensinar ao Fifth Harmony?
Little Mix
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Representantes dessa nova geração de girlbands, as meninas do Little Mix poderiam ensinar como aliar uma sonoridade atual, sem soar clichê e, obviamente, com muita identidade.

Girls Aloud
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Não dá pra ficar presa em um só mercado. Embora sejam muy valorizadas no Reino Unido, o Girls Aloud não é lá muito conhecido fora de lá. Anotem aí: é preciso (sim!) se preocupar com o resto do mundo.

The Pussycat Dolls
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Girlband se faz com um grupo onde todas têm chances de se destacar e não sendo apenas dançarinas de uma vocalista. O Pussycat Dolls pediu pra avisar!

Destiny’s Child
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Versatilidade é importante e o Destiny’s Child está aí pra provar. Dá pra cantar R&B, mas também se jogar num pop gostosinho!

Spice Girls
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Dispensa apresentações. Watch and learn!

O disco é encerrado com a deliciosa “Brave Honest Beautiful”, um hino de motivação, onde as meninas dividem atenções com Meghan Trainor, também compositora da canção, que traz ícones de mulheres poderosas como Beyoncé, Shakira, Madonna e Rihanna.

Mesmo não trazendo nenhuma inovação musical, sem letras primorosas e com alguns erros de percursoalô, música da Barbie – o Fifth Harmony mostrou a que veio, permanecendo fiel ao seu R&B e não se jogando no EDM. Pela primeira vez, o grupo tem a oportunidade de criar identidade com seu público, composto majoritariamente por meninas adolescentes. E é exatamente nisso que “Reflection” tem muito o que se orgulhar.

Em tempos de cyberbullying, porn revenge e uma série de absurdos envolvendo jovens na rede, que em muitos dos casos acabam não aguentando a pressão e se suicidam, o Fifth Harmony preenche com louvor a lacuna de meninas que, tal como Demi Lovato e Taylor Swift, gritam por essas adolescentes e mostram que, no fim do dia, elas podem ser o que quiserem.

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Diferente do que a indústria vende, de que cantoras são seres endeusados e inatingíveis, a girlband vai na contramão ao cantar que se você quiser, pode dançar como Beyoncé, se mexer como Shakira, gritar como Rihanna, fazer uma pose como Madonna ou ser “boss” como Michelle Obama. E tudo bem com isso.

Todas as divas são humanas – e quem disse que você não pode ser uma?

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