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David Bowie, o camaleão que não mudou

Lançamento triplo de coletânea coloca em evidência a comemoração dos 50 anos de carreira do ícone pop

Renato Cabral
Vic Matos
David Bowie, o camaleão que não mudou
Vic Matos

Em 2013, a indústria fonográfica foi surpreendida por um retorno mais que inesperado. Depois de 10 anos sem lançar um álbum de inéditas, David Bowie voltava à cena com “The Next Day”.

Sem performances para divulgar o trabalho ou uma possível turnê, Bowie se apoiou em excelentes videoclipes e a sua inigualável força midiática. Poucos artistas conseguem lançar um álbum atualmente sem uma campanha pesada de publicidade. Bowie certamente é um deles. A repercussão maior de seu retorno foi o boca-a-boca para mais um impecável trabalho.

Depois de edições especiais e remixes de “The Next Day” lançados, era notável a receptividade do público aos trabalhos do inglês. Bowie estava voltando a vender, ser muito lucrativo e tudo isso próximo aos seus 50 anos de carreira. Para comemorar em alto estilo, a Parlophone surpreendeu os fãs em novembro de 2014 lançando não apenas uma coletânea de grandes sucessos do músico, mas três.

“Nothing Has Changed.” chega às lojas embalado de um ano mais que comemorativo além das coletâneas. Bowie está em voga mais que nunca. Após anos de silêncio e reclusão, com novas gerações de fãs surgindo, os fãs pediam um retorno à altura. E pra isso, documentários, exposições e lançamentos de edições limitadas de seus álbuns e singles foram programados.

Parece, mas não é

Para alguns o cantor possui olhos de cores diferentes.

Mas na verdade ambos são azuis, o que aconteceu foi que uma das pupilas ficou permanentemente dilatada devido a uma briga que teve, então assim, um dos olhos parece mais escuro que o outro.

Parcerias

Bowie já se apresentou ao lado de artistas como Mick Jagger, Iggy Pop, Tina Turner, Annie Lennox e com as bandas Queen e Nine Inch Nails.

Um galã

É bem possível, se você foi uma criança nos anos 80 e 90, que o cantor fez parte de alguns dos seus maiores pesadelos e você nem sabia. Vilão em “O Labirinto”, com Jennifer Connely, Bowie ainda participou da trilha sonora do filme. A compondo e produzindo.

Em seu currículo ainda estão filmes como “Fome de Viver”, ao lado de Catherine Deneuve e Susan Sarandon, interpretando um vampiro. E o clássico de Nicolas Roeg, de 1976, “O Homem que caiu na Terra”, intepretando um alienígena.

Tempos sombrios

Durante os anos 70, Bowie passou por um forte vício em heroína que resultou em alguns episódios em que não conseguia controlar nem seu próprio comportamento.

Depois de superado o vício, o cantor escreveu a canção “Ashes to Ashes” que documenta sua batalha contra as drogas.

Durante 2014, uma belíssima exposição viajou as principais cidades do mundo levando os grandiosos detalhes do performer. Seus trajes invejados e copiados, suas anotações, referências, filmes em que estrelou e os principais acontecimentos de sua carreira ao longo desses 50 anos de carreira destacados para o seu público conferir. A retrospectiva concebida em Londres pôde ser conferida no Museu de Imagem e Som de São Paulo.

Misterioso, ele sempre trouxe o inesperado. Com sua androgenia bela e destacável, o cantor apresentou ao mundo suas personas: Ziggy Stardust e Aladdin Sane. Revelando uma capacidade que poucos possuem de se reinventarem com tanta propriedade. As três edições da coletânea “Nothing Has Changed.” contemplam esse histórico.

Na versão simples, de dois discos, somos apresentados aos grandes singles da carreira de Bowie, uma ótima porta de entrada para uma geração que quer conhecer melhor o cantor e ainda, uma boa pedida para os fãs que preferem não se aprofundar tanto na carreira e apreciar as clássicas canções do astro. Já a segunda apresentação da coletânea é essencial para aqueles fãs que gostam de Bowie por completo e já possuem um conhecimento prévio do lado-B do artista.

Na versão com três discos, o foco é bem menos nos grandes singles e mais nas músicas preferidas de sua fanbase, além de remixes feitos por artistas como James Murphy e os Pet Shop Boys, e algumas canções raras, lançadas quando Bowie se chamava, artisticamente, Davy Jones. Ainda foi lançado um vinil duplo limitado com versões exclusivas de alguns singles.

Este vídeo está no YouTube e pode deixar de ser exibido a qualquer momento

Um artista único, que experimentou de tudo na vida e não parece pronto a finalizar os trabalhos, Bowie se mantém atual e necessário no cenário musical, um feito que poucos conseguem manter.

Seja reconhecido pelos hinos “Rebel, Rebel” e “Heroes”, esse um clássico escrito em parceria com Brian Eno, as emocionantes “Space Oddity” e “Moonage Daydream”, até os recentes “The Stars (Are Out Tonight)” e o novíssimo single “Sue (Or in a Season of Crime)”, realizado junto da Orquestra Maria Schneider, Bowie continua impecável e com um trabalho repleto de leituras e nuances.

E para aqueles que acham as reinvenções de Madonna, Lady Gaga e outras (e outros) tantos embasbacantes, não se surpreendam, Bowie é a matriz que os inspira. Ele sim é o verdadeiro camaleão do pop, rock, glam rock, art rock, rock experimental.

Rotule como você quiser, amanhã mesmo poderá ser outra coisa nas mãos e voz de David Bowie.

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