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Grammy foi o festival gospel que gerou mais sono que animação

A premiação que tinha de tudo para ter uma das suas edições mais memoráveis será lembrada pelas decepções e injustiças.

Jean Carlos Gemeli
Grammy foi o festival gospel que gerou mais sono que animação
ReproduçãoMadonna foi a única a salvar a premiação do marasmo

Acordamos cheios de expectativas no primeiro domingo de fevereiro (08), afinal era dia de Grammy (bebê!).

Neste ano, a promessa de que teríamos uma grande premiação era enorme, com os artistas indicados, junto aos apresentadores e performances confirmados. Seria o melhor Grammy de todos. E na verdade, foi tudo um sonho. Ou melhor dizendo, um pesadelo salvo por apenas alguns poucos momentos.

Pelo saldo das mais de vinte apresentações musicais, ficou claro que entregaram um memorando gospel para as apresentações desse ano. Era um entra e sai de gente no palco, mas a maioria paradinha no foco com as escolhas de músicas lentas. Sono foi o que definiu as mais de três horas de cerimônia.

A única que se movimentou legal foi Madonna, que fez jus ao título de Rainha do Pop. Com a primeira performance de “Living For Love” inspirada no clipe, Madge pulou de um lado para o outro e dançou muito. Enquanto as novinhas ficaram paradas fazendo a linha blasè.

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O Grammy 2015 não foi só motivo de sono, mas também de decepção. Não foi dessa vez que Katy Perry levou o seu tão sonhado gramofone.

As apostas no prêmio de Melhor Perfomance Pop em Duo/Grupo pela faixa “Dark Horse” eram enormes, mas quem acabou com o troféu foi A Great Big World e a fofa “Say Something”, parceria com Christina Aguilera. Perdoe-nos, mas não que a faixa última faixa não merecesse, mas essa era a única chance mais palpável de Katy finalmente levar o prêmio, mas bola pra frente, tem outros Grammy.

Se você não foi ao culto ou a missa nessa semana, não tem problema se você ter perdido seu tempo assistindo à premiação. O pacto com Jesus foi renovado por quase todas – incluindo Katy Perry, que fez a emocionante e impactante apresentação de “By the Grace of God” que contou com a participação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o depoimento de uma vítima de violência doméstica.

As projeções de sombras foram usadas de forma inteligente e quebraram um pouco a mesmice da premiação, fazendo com que os convidados aplaudissem Katy de pé.

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Seguindo a linha ungida no poder do Senhor, Beyoncé fechou a premiação em um tributo ao filme “Selma” com a música “Take My Hand, Precious Lord”.

Não tínhamos dúvidas de que Queen B, que conquistou o seu 20º Grammy, iria entregar uma apresentação perfeita, vocal e emocionalmente falando. Mas naquele ponto da premiação, onde todo mundo morria por “uma música pros gays, pros gays”, estávamos suplicando aos céus por uma performance bate-cabelo de “7/11”.

Talvez o maior momento da premiação tenha sido o do anúncio de Álbum do Ano. Os holofotes estavam todos voltados para Beyoncé – e possivelmente para Sam Smith -, mas quem saiu rindo à toa foi Beck, com “Morning Phase”, que também levou o de Melhor Álbum de Rock.

E foi justamente quando o cantor foi receber seu prêmio que tivemos uma tentativa de animação na noite entediante. Similar ao que fez com Taylor Swift no VMA de 2009, Kanye West quase tirou o grande prêmio do cantor, que o recebia das mãos de Prince. Mas foi tudo uma brincadeira – ou não. Aliás, a premiação também ficou marcada pela reconciliação em frente às câmeras entre Taylor e Kanye. É o poder de Jesus nessa premiação.

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Outra injustiçada do Grammy 2015 foi Sia. “Chandelier” não levou nenhum gramofone sequer para casa. Por outro lado, a australiana arrasou na apresentação da faixa.

De costas, como de praxe, a cantora convocou a lindinha Maddie Ziegler e a atriz Kristen Wiig, humorista do programa SNL, para executarem a coreografia de uma das músicas mais populares do ano passado. Mas ainda seguimos sem compreender como ela perdeu a categoria de Melhor Clipe e Melhor Performance Pop Solo para “Happy”, de Pharrell.

O cantor, inclusive, foi um dos grandes ganhadores da noite, levando um total de três gramofones, quando tirou da favorita Beyoncé, o prêmio de Melhor Álbum Urban Contemporâneo. Era esperada uma perfomance de “Happy” como nunca foi feita, mas resultou em algo bem confuso e ainda enjoativo. Vamos encerrar essa fase, né Pharrell? Tá bom já!

Mas quem dominou mesmo foi Sam Smith, que levou quatro prêmios cobiçados: Artista Revelação, Melhor Álbum Pop por “In the Lonely Hour”, Gravação do Ano e Canção do Ano por “Stay With Me (Darkchild Version)”. Não teve para ninguém, a noite foi dele.

A começar pela marcante apresentação de seu single vencedor com a maravilhosa Mary J. Blige, e com o melhor discurso da noite. “Obrigado por quebrar meu coração, porque você me deu quatro Grammys”, disse ele em referência ao rapaz que inspirou o material. Soou bem familiar à conterrânea Adele, né?

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Katy Perry sem satanismos (sdds Grammy 2014), Taylor Swift no pop, Lady Gaga no jazz (um Grammy merecido para ela e Tony Bennett) e Rihanna no folk. O mundo dá voltas, não é mesmo? E por falar em Rihanna, a primeira apresentação do carro-chefe do R8, “FourFiveSeconds”, com Paul McCartney e Kanye West, deu uma animada na premiação. Mérito de da presença de palco magnífica de Rihanna.

Quem também deu uma boa quebrada na monotonia foi a apresentação conjunta de Hozier e Annie Lennox. Mais por parte dela, que transformou o hino “I’ll Put A Spell On You” em uma performance eletrizante. As outras apresentações conjuntas foram boas, cumpriram sua missão, promovendo os cantores e o “The Voice”, com os duetos fofos de Tom Jones e Jessie J e de Adam Levine com Gwen Stefani.

Entre outras apresentações da noite estiveram Lady Gaga e Tony Bennett, Beck com o Chris Martin, Ariana Grande, Miranda Lambert, Eric Church, entre outras. Mas como foi dito, nada que merecesse muito destaque e fosse menos solenta.

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Se começamos a premiação tão bem com Pentatonix levando Grammy, terminamos a noite decepcionados com a produção em geral. Queríamos mais, afinal a chance de reunir mais uma vez todas as divas pop não acontece todo ano.

Sabemos que a premiação não é de um só gênero, e não tem como obrigação seguir o mainstream e vendas, mas não dava para não ter esperança de um line-up poderoso. Era obrigação dos produtores fazerem jus aos artistas que estavam ali presentes e entregarem o melhor show possível. O que, infelizmente, não aconteceu.

Podia ser o Grammy 2015, mas foi na verdade só um adiantamento do que está por vir no Festival Promessas.

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